Enzalutamida com ou sem rádio-223 no câncer de próstata resistente à castração metastático: resultados finais de sobrevida global do estudo PEACE-3
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O estudo EORTC 1333/PEACE-3 avaliou a combinação de enzalutamida com rádio-223 em pacientes com câncer de próstata resistente à castração metastático com metástases ósseas assintomáticos ou oligossintomáticos. A hipótese era que a associação de um agente direcionado ao receptor de androgênio com uma terapia alfa-emissora direcionada ao osso poderia melhorar os desfechos clínicos em comparação à enzalutamida isoladamente.
Foram incluídos 446 pacientes entre novembro de 2015 e março de 2023, em 56 centros de 12 países. Os pacientes deveriam apresentar doença metastática com metástases ósseas, estado funcional 0–1 e ausência de metástases viscerais. Os participantes foram randomizados para receber enzalutamida ou enzalutamida associada a seis ciclos de rádio-223, mantendo terapia de privação androgênica. O desfecho primário do estudo foi sobrevida livre de progressão radiográfica, e sobrevida global foi um desfecho secundário chave. O uso de agentes de proteção óssea foi mandatório a partir de março de 2018, após 119 pacientes terem sido randomizados.
Com seguimento mediano de 4,8 anos, a análise final demonstrou benefício estatisticamente significante em sobrevida global com a combinação. A mediana de sobrevida global foi de 38,2 meses com enzalutamida mais rádio-223, comparada a 32,6 meses com enzalutamida isoladamente (HR 0,76; IC95% 0,60–0,96; p=0,0096). A sobrevida livre de progressão radiográfica também permaneceu superior no braço combinado, com mediana de 19,2 meses versus 16,4 meses (HR 0,71; IC95% 0,57–0,89).
As curvas de sobrevida apresentaram cruzamento por volta de 18 meses, mas após esse período ocorreu maior número de óbitos no braço tratado com enzalutamida isoladamente. Em análises exploratórias, o benefício foi mais evidente em pacientes com menos de 75 anos, enquanto o efeito foi menos pronunciado nos pacientes >75 anos (HR 1.01).
Em relação à segurança, houve aumento moderado de eventos adversos grau ≥3 no braço combinado (28% vs 19%). Osteonecrose de mandíbula foi observada em 17 pacientes, sendo 14 no braço da combinação. Também foram relatados casos isolados de síndrome mielodisplásica (n=1) e leucemias (n=2), todos no grupo tratado com rádio-223 associado. Nenhum evento adverso individual grau ≥3 aumentou mais de 5% com a combinação.
Os resultados finais confirmam o benefício previamente observado em sobrevida livre de progressão radiográfica e demonstram ganho em sobrevida global com a estratégia combinada. De acordo com os investigadores, enzalutamida associada ao rádio-223, juntamente com terapia de proteção óssea, pode representar uma opção terapêutica para pacientes com câncer de próstata resistente à castração metastático com metástases ósseas. Como limitação, é importante salientar que apenas 3% dos pacientes haviam sido previamente tratados com algum antiandrógeno de segunda geração (no estudo, abiraterona). Isso levanta a hipótese de que a combinação possa não ser eficaz em uma população mais contemporânea previamente tratada com antiandrógenos no cenário sensível à castração.
Apresentador: Enrique Gallardo, Parc Taulí Hospital Universitari / Universitat Autònoma de Barcelona, Espanha.
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