
Dimetilsulfóxido: uma revisão da farmacologia e efeito clínico na cistite intersticial/síndrome da dor vesical
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Introdução
O dimetilsulfóxido (DMSO) é uma substância com propriedades farmacológicas únicas que foi aprovada pelo FDA em 1978 para o tratamento intravesical da cistite intersticial/síndrome da dor vesical (CI/SDV). Este artigo apresenta uma revisão abrangente sobre a farmacologia do DMSO, seus mecanismos de ação e sua eficácia clínica, particularmente em pacientes com cistite intersticial do tipo Hunner.
Objetivo
Revisar a farmacologia do DMSO e seus efeitos clínicos no tratamento da cistite intersticial/síndrome da dor vesical, com ênfase especial na eficácia em pacientes com cistite intersticial tipo Hunner.
Desenho do estudo
Revisão narrativa da literatura científica
Materiais e Métodos
O DMSO é administrado por instilação intravesical na concentração de 50%, permanecendo na bexiga por no mínimo 15 minutos. A substância apresenta alta permeabilidade de membrana, sendo rapidamente absorvida e metabolizada em dimetilsulfeto (DMS), com meia-vida de aproximadamente 4 dias em humanos.
O mecanismo de ação do DMSO envolve múltiplas propriedades farmacológicas: atividade de sequestrador de radicais livres (radicais hidroxila •OH), atividade carreadora durante a penetração de membrana, efeito⁻). de proteção isquêmica, efeito anti-inflamatório, propriedade crioprotetora, proteção radiológica e outros efeitos.
O DMS, seu principal metabólito, também apresenta atividade de sequestrador de radicais superóxido (•O₂)
Critérios de inclusão e exclusão mais relevantes
Para a seleção de pacientes candidatos ao tratamento com DMSO, é fundamental a confirmação cistoscópica de cistite intersticial tipo Hunner (presença de lesões de Hunner). Estudos recentes, particularmente o ensaio clínico duplo-cego randomizado de Yoshimura et al. (2021), demonstraram que o DMSO é eficaz especificamente para cistite intersticial tipo Hunner, não sendo efetivo para síndrome da dor vesical sem lesões de Hunner.
Resultados
Ensaios clínicos com braço único e estudos controlados demonstram melhora subjetiva e objetiva em pacientes com cistite intersticial tipo Hunner. O DMSO foi aprovado pelo FDA em 1978 e mantém seu papel no arsenal terapêutico da CI/SDV. Existem terapias combinadas (cocktail) descritas na literatura, porém não há comparações diretas de monoterapia com DMSO versus outras abordagens. Os efeitos colaterais incluem odor semelhante a alho (relacionado ao metabolismo do DMS) e potencial interação com lidocaína, que deve ser evitada por aumentar a absorção dessa última.
Conclusão do Trabalho
O DMSO permanece uma opção terapêutica válida e estabelecida para o tratamento intravesical da cistite intersticial tipo Hunner, com mecanismo de ação bem caracterizado e eficácia clínica demonstrada, especialmente em pacientes com lesões de Hunner confirmadas cistoscopicamente.
Comentário Editorial
Este artigo oferece uma revisão abrangente e atualizada sobre o DMSO, substância que, embora descoberta no século XIX e investigada desde 1963, mantém relevância clínica significativa na prática urológica contemporânea.
A ênfase na seleção apropriada de pacientes—particularmente a confirmação cistoscópica de cistite intersticial tipo Hunner—representa um avanço importante na otimização dos resultados terapêuticos. A recente confirmação de eficácia através do ensaio duplo-cego randomizado de Yoshimura et al. (2021) reforça a importância da estratificação fenotípica na CI/SDV, diferenciando claramente a cistite intersticial tipo Hunner da síndrome da dor vesical sem lesões.
Do ponto de vista prático, o DMSO continua sendo uma ferramenta valiosa no arsenal terapêutico, particularmente para pacientes refratários a outras modalidades de tratamento.
Perspectivas futuras apontam para a necessidade de ensaios clínicos que comparem diferentes estratégias terapêuticas em subgrupos fenotipicamente definidos de CI/SDV, com potencial para otimizar resultados clínicos e reduzir efeitos colaterais. A compreensão aprofundada dos mecanismos de ação do DMSO também pode abrir novas possibilidades terapêuticas em outras condições urológicas inflamatórias.
Referência
Hikaru Tomoe, Dimethyl sulfoxide : A review of pharmacology and clinical effect on interstitial cystitis/bladder pain syndrome, Continence,Volume 8, 2023,101058, ISSN 2772-9737, https://doi.org/10.1016/j.cont.2023.101058.

