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Microbiota urinária em mulheres com bexiga hiperativa seca e úmida

Autores do Artigo: 

Xiao Chen; Hui Zou; Jia Wang; Yiran Sun; Mingxia Zhang; Hao Hu; Kexin Xu

Journal

International Journal of Genomics

Data da publicação

Abril 2026

Autor do Resumo

Editor de Seção

  

Introdução

A bexiga hiperativa (OAB) pode ocorrer com ou sem incontinência urinária. Este estudo avaliou se mulheres com OAB apresentam diferenças na microbiota urinária em relação a controles saudáveis e se a presença de incontinência está associada à composição microbiana.

Objetivo

Comparar a microbiota urinária de mulheres com OAB e controles saudáveis e avaliar a associação entre o status de incontinência urinária e a microbiota em pacientes com OAB.

Desenho do estudo

Estudo observacional transversal comparativo, sem intervenção ou seguimento longitudinal, utilizando sequenciamento da região V3-V4 do gene bacteriano 16S rRNA para caracterização da microbiota urinária.

Número de pacientes

Foram sequenciadas 53 amostras: 27 de mulheres com OAB e 26 de controles saudáveis. Entre as participantes com OAB, 17 tinham OAB úmida e 10, OAB seca.

Período de inclusão

A inclusão ocorreu de abril de 2021 a outubro de 2022.

Materiais e Métodos

Foram coletadas duas amostras por participante, com mais de 25 mL de urina de jato médio obtida por técnica estéril e congelada rapidamente a -80°C. A região V3-V4 do 16S rRNA foi amplificada com os primers 338F e 806R e sequenciada em plataformas Illumina MiSeq PE300 ou NovaSeq PE250. As leituras foram filtradas, montadas e agrupadas em OTUs com similaridade de 97%, com classificação taxonômica pelo RDP Classifier. Foram empregados testes paramétricos e não paramétricos conforme o tipo de dado e a comparação; os testes eram bicaudais, com p<0,05 como limiar de significância. O estudo foi aprovado pelo Comitê de Ética Hospitalar sob o número 2020PHB309.

Desfechos

Os desfechos incluíram a diversidade alfa da microbiota urinária, avaliada pelos índices Chao e Simpson, a abundância relativa de gêneros bacterianos e a pontuação OABSS nos subgrupos com OAB úmida e seca. A análise foi transversal, sem desfechos clínicos após tratamento ou seguimento longitudinal.

Critérios de inclusão e exclusão mais relevantes

Foram incluídas mulheres adultas com OABSS acima de 3 no resumo ou igual ou superior a 3 nos métodos, além de urinálise e cultura negativas. Os controles eram mulheres adultas sem doença do trato urinário inferior clinicamente identificada e com urinálise e cultura negativas. Foram excluídas participantes com bexiga neurogênica ou malformações urinárias, malignidade ou transplante, radioterapia ou quimioterapia, uso prolongado ou história de cateter ou stent ureteral, gestação ou lactação, urinálise positiva ou outras doenças potencialmente capazes de influenciar a microbiota urinária. 

Resultados

As 53 amostras produziram 3.276.481 leituras e, após desnaturação e remoção de quimeras, foram identificadas 5.620 OTUs. No nível de gênero, Gardnerella foi o gênero mais abundante no grupo OAB em uma análise, enquanto Lactobacillus foi o mais abundante nos controles. Staphylococcus e Corynebacterium apresentaram maior abundância relativa no grupo OAB em comparação com os controles, embora os valores documentais de Staphylococcaceae apresentem versões discordantes. Na OAB úmida, Gardnerella representou 19,69%; na OAB seca, Lactobacillus foi o gênero mais abundante, com 12,26%, e nos controles, com 19,90%. Gardnerella foi mais abundante na OAB úmida que na seca, 19,69% versus 0,0028%, e Sneathia também foi mais abundante, 2,5% versus 0%; Pseudomonas foi menos abundante na OAB úmida, 0,31% versus 2,8%. A pontuação OABSS foi 7,0 ± 2,4 na OAB úmida e 4,8 ± 1,0 na OAB seca, com p=0,0098. Não foi demonstrada diferença estatisticamente significativa nos escores de qualidade de vida entre os subgrupos.

Conclusão do Trabalho

Os autores concluíram que a microbiota urinária de mulheres com OAB diferiu da observada em controles saudáveis e que a incontinência urinária foi identificada como fator associado à composição da microbiota urinária em pacientes com OAB. Também destacaram a necessidade de estudos prospectivos, intervencionais e experimentais para aprofundar essas relações.

Comentário Editorial

O desenho transversal é adequado para uma comparação exploratória da microbiota entre grupos definidos clinicamente, mas não estabelece temporalidade nem permite determinar se a incontinência urinária modifica a microbiota, se a composição microbiana está relacionada à incontinência por mecanismos compartilhados ou se ambas refletem outros fatores. A própria interpretação de “fator” deve, portanto, ser entendida como associação, e não como efeito causal.

A amostra foi composta por 27 participantes com OAB e 26 controles, com subgrupos ainda menores de OAB úmida e seca. A seleção hospitalar e a diferença etária documentada entre OAB e controles podem limitar a representatividade e introduzir confundimento na comparação da microbiota; o material disponível não permite avaliar se houve ajuste estatístico para idade ou outros potenciais confundidores. Em contrapartida, os critérios de exclusão, a exigência de urinálise e cultura negativas e a descrição da coleta padronizada fortalecem a comparabilidade pré-analítica.

A caracterização por 16S rRNA permite descrever bactérias e diferenças de diversidade e abundância relativa, mas não avalia vírus, fungos ou outros componentes não bacterianos. Além disso, alguns valores de abundância apresentam versões documentais conflitantes, o que reduz a segurança para interpretações quantitativas específicas. Os índices Chao e Simpson mostraram diferenças estatísticas, mas a relevância clínica dessas diferenças não foi estabelecida, e não houve seguimento ou desfechos após tratamento. Assim, a confiança é maior para a existência de diferenças exploratórias entre os grupos do que para inferências causais, prognósticas ou de aplicabilidade ampla.

Referência

Chen X, Zou H, Wang J, Sun Y, Zhang M, Hu H, Xu K. Urinary Microbiota in Female Patients With Dry and Wet Overactive Bladder (OAB). Int J Genomics. 2026 Jul 20;2026:5936606. doi: 10.1155/ijog/5936606. PMID: 42519624; PMCID: PMC13383003.