
Disitamabe vedotina em combinação com toripalimabe em câncer urotelial avançado com expressão de HER2 (estudo RC48-C016)
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Introdução
O carcinoma urotelial metastático (mUC) apresenta alta prevalência de HER2 (Human Epidermal Growth factor receptor 2), com imunohistoquímica positiva ao menos 1+ em 52-69,8% dos casos. Com o avanço de terapia direcionadas, o HER2 tem emergido como potencial alvo terapêutico do mUC.
Neste contexto, o estudo DESTINY-PanTumor 02, foi um estudo de fase II com pacientes com tumores sólidos com expressão de HER2 2 ou 3+ de várias histologias, previamente tratados, que foram tratados com trastuzumabe deruxtecano. Na coorte de carcinoma urotelial, a taxa de resposta foi de 39%.
O disitamabe vedotina é um ADC específico para células HER2+. O disitamabe se liga à porção extracelular do HER2 na superfície da célula tumoral internalizando o ADC liberando o agente citotóxico MMAE (monometil auristatina E) com ação antimicrotúbulo. Em estudos de fase II, demonstrou atividade em pacientes quimiorrefratários com taxa de resposta de 50%, sendo aprovado na China a partir de 2ª linha.
Objetivo
avaliar eficácia e segurança do disitamabe vedotina com toripalimabe (um anti PD 1) comparado com quimioterapia baseada em platina em pacientes com mUC ou MIBC localmente avançado não tratado previamente.
Desenho do estudo
Estudo de fase III, aberto, randomizado, conduzido em centros chineses.
Número de pacientes
484 pacientes.
Período de inclusão
Não foram especificadas as datas. A análise interina foi realizada com dados coletados até 31 de março de 2025
Materiais e Métodos
A randomização foi 1:1 para disitamabe-vedotina (DV) + toripalimabe ou quimioterapia (cisplatina ou carboplatina + gencitabina). A estratificação foi por elegibilidade à cisplatina, doença visceral e status HER2 (1+ ou 2+/3+). No braço DV + toripalimabe, o tratamento foi mantido até progressão ou toxicidade limitante. Já no braço quimioterapia, foram realizados 6 ciclos. Não foi permitido crossover.
Desfechos
Os desfechos co-primários foram sobrevida livre de progressão (por revisão independente cega) e sobrevida global. Os desfechos secundários foram: SLP pelo investigador, taxa de resposta (TRO), taxa de controle de doença (DCR) e duração de resposta.
Critérios de inclusão e exclusão mais relevantes
Selecionou pacientes com carcinoma urotelial localmente avançado irressecável ou metastático sem tratamento sistêmico prévio e que não apresentaram progressão ou recorrência dentro de 12 meses do tratamento neoadjuvante ou adjuvante. Além disso, precisariam de confirmação de status HER2 (1+, 2+ ou 3+) avaliado centralmente pelo teste VENTANA Anti-HER2/Neu (4B5).
Resultados
Conclusão do Trabalho
Os autores concluem que disitamabe-vedotina + toripalimabe emerge como opção de tratamento em 1ª linha em pacientes com mUC ou doença localmente irressecável metastática com expressão de HER2, com benefício em todos subgrupos incluindo elegíveis à cisplatina e HER2 1+. Relatam que os eventos adversos foram manejáveis. Como limitações apontam o tamanho da amostra, a população exclusivamente chinesa, as taxas de resposta completa na intervenção e no controle mais baixas que estudos prévios e ausência de avelumabe de manutenção no braço controle.
Comentário Editorial
Referência
Sheng, X., Zeng, G., Zhang, C., Zhang, Q., Bian, J., Niu, H., Li, J., Shi, Y., Yao, K., Hu, B., Liu, Z., Liao, H., Yu, Z., Jin, B., Zhao, P., Yang, T., Liu, X., Qin, Y., Xue, X., Gou, X., … RC48-C016 Trial Investigators (2025). Disitamab Vedotin plus Toripalimab in HER2-Expressing Advanced Urothelial Cancer. The New England journal of medicine, 393(23), 2324–2337. https://doi.org/10.1056/NEJMoa2511648

