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Clomifeno e tamoxifeno na infertilidade masculina idiopática: revisão sistemática e meta-análise

Autores do Artigo: 

Shadi Khashaba; Shehab Khashaba; Anil Krishan; Angus Bruce; Abdullatif Almaghlouth; Jason Huang; Mahmoud Mima; Craig Niederberger

Journal

Asian Journal of Urology

Data da publicação

Janeiro 2025

Autor do Resumo

  

Introdução

Clomifeno e tamoxifeno são moduladores seletivos do receptor de estrogênio utilizados off-label em condições relacionadas à infertilidade masculina. Esta revisão sistemática concentrou-se na gravidez natural e também examinou alterações hormonais e parâmetros espermáticos em homens com infertilidade idiopática, comparando cada fármaco com placebo.

Objetivo

Avaliar o efeito de clomifeno e tamoxifeno, versus placebo, sobre as taxas de gravidez natural em homens com infertilidade idiopática, além de examinar níveis séricos de FSH, LH e testosterona, contagem espermática e motilidade espermática.

Desenho do estudo

Revisão sistemática e meta-análise de ensaios clínicos randomizados, conduzida segundo os padrões PRISMA, com protocolo predefinido e registro no PROSPERO sob CRD42021229422.

Número de pacientes

Foram incluídos 10 ensaios clínicos randomizados. Os estudos de clomifeno reuniram 396 pacientes, enquanto os estudos de tamoxifeno reuniram 234 pacientes; esses totais correspondem aos conjuntos de estudos de cada intervenção e não devem ser somados como uma população única.

Período de inclusão

A busca bibliográfica foi concluída em 20 de dezembro de 2022, sem limite temporal. O material disponível não informa os períodos de inclusão dos participantes ou os tempos específicos de tratamento e seguimento dos ensaios individuais.

Materiais e Métodos

Foram pesquisadas MEDLINE, PubMed/PMC, EMBASE, CINAHL, CENTRAL, Scopus, Google Scholar e Web of Science. Dois autores realizaram a busca e a avaliação dos resultados de forma independente, com terceiro autor para resolver discordâncias. O risco de viés foi avaliado por dois autores independentes com a ferramenta RoB2. Para a síntese, foram utilizados modelos de efeitos aleatórios ou fixos conforme a heterogeneidade; diferenças médias foram aplicadas às variáveis contínuas e odds ratios às dicotômicas, com IC95% e avaliação por I². Também foram realizadas análises de sensibilidade, incluindo leave-one-out quando havia mais de três estudos.

Desfechos

O desfecho primário foi a incidência de gravidez normal após o tratamento. Os desfechos secundários incluíram FSH, LH, testosterona séricos, contagem espermática e motilidade espermática. Não foram apresentados resultados sistemáticos de eventos adversos ou segurança nas comparações incluídas.

Critérios de inclusão e exclusão mais relevantes

Foram elegíveis ensaios clínicos randomizados, sem restrição de idade, envolvendo homens com infertilidade idiopática, incluindo oligoastenoteratozoospermia, e comparando clomifeno ou tamoxifeno com placebo. Foram excluídos manuscritos não escritos em inglês, não publicados e resumos de congressos.

Resultados

Na comparação entre clomifeno e placebo, a gravidez ocorreu em 10,4% e 7,1% dos participantes, respectivamente; a análise agrupada não demonstrou diferença estatisticamente significativa (OR 1,30; IC95% 0,27–6,17; p=0,74), com heterogeneidade moderada (I²=53%; p=0,09). O FSH pós-tratamento foi maior com clomifeno: 10,67 versus 6,36 mIU/mL; diferença média 4,30 (IC95% 3,26–5,34; p<0,001), com baixa heterogeneidade (I²=7%; p=0,34). Apenas dois estudos relataram LH, testosterona, contagem espermática e motilidade após clomifeno, e esses desfechos não foram meta-analisados.

Para tamoxifeno, apenas um estudo relatou gravidez: 6/30 participantes no grupo tamoxifeno e 4/30 no grupo placebo. Portanto, não foi realizada meta-análise, e não foi fornecido teste estatístico para essa comparação. Nas análises hormonais agrupadas, o tamoxifeno esteve associado a valores maiores de FSH — 7,68 versus 6,25 mIU/mL; diferença média 2,90 (IC95% 2,56–3,24; p<0,001; I²=89%; p<0,001) —, LH — 5,98 versus 4,73 mIU/mL; diferença média 2,40 (IC95% 2,04–2,76; p<0,001; I²=98%; p<0,001) — e testosterona — 7,80 versus 6,39 ng/dL; diferença média 3,22 (IC95% 3,02–3,42; p<0,001; I²=92%; p<0,001).

Não foi demonstrada diferença estatisticamente significativa na contagem espermática com tamoxifeno: 22,0×10^6 versus 17,1×10^6; diferença média 2,39 (IC95% −2,28 a 7,05; p=0,32). Também não houve diferença estatisticamente significativa na motilidade: 30,5% versus 33,1%; diferença média −1,73 (IC95% −3,85 a 0,38; p=0,11). As análises de sensibilidade não alteraram a significância estatística dos resultados avaliados.

Conclusão do Trabalho

Segundo os autores, a escassez de estudos, a heterogeneidade e a limitada disponibilidade de dados de gravidez impediram uma avaliação abrangente da eficácia dos moduladores seletivos do receptor de estrogênio na infertilidade masculina idiopática. O efeito de clomifeno ou tamoxifeno sobre a taxa de gravidez permanece incerto, sendo necessário um ensaio clínico randomizado adequadamente dimensionado.

Referência

Khashaba S, Khashaba S, Krishan A, Bruce A, Almaghlouth A, Huang J, Mima M, Niederberger C. Efficacy of clomiphene citrate and tamoxifen on pregnancy rates in idiopathic male subfertility: A systematic review and meta-analysis. Asian Journal of Urology. 2025;12:15-22. doi:10.1016/j.ajur.2024.09.001.