
Características Clínicas, Sucesso Terapêutico e Adesão ao Tratamento em Mulheres com Síndrome da Bexiga Hiperativa e Incontinência Urinária Mista: Um Estudo de Coorte Retrospectivo de 15 Anos
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Introdução
A síndrome da bexiga hiperativa (BHA) é uma condição altamente prevalente em mulheres, com incidência crescente com a idade, caracterizada por urgência urinária, com ou sem incontinência urinária de urgência (IUU), frequentemente acompanhada de frequência miccional aumentada e noctúria. A incontinência urinária mista (IUM) refere-se à coexistência de sintomas de incontinência de urgência e de esforço. Ambas as condições impactam significativamente a qualidade de vida relacionada à saúde, bem-estar emocional, qualidade do sono e funcionamento social, com um impacto econômico substancial. As opções de tratamento variam desde terapias comportamentais (treinamento vesical, treinamento dos músculos do assoalho pélvico) até agentes farmacológicos (antimuscarínicos, agonistas beta-3, estrogênio local), neuromodulação e injeções de toxina botulínica. Compreender os fatores que predizem o sucesso terapêutico é fundamental para otimizar os resultados clínicos.
Objetivo
O objetivo deste estudo foi investigar as características clínicas, o sucesso terapêutico e a adesão ao tratamento em mulheres diagnosticadas com síndrome da bexiga hiperativa ou incontinência urinária mista, identificando fatores preditivos de sucesso terapêutico.
Desenho do estudo
Estudo de coorte retrospectivo que analisou dados de pacientes atendidas durante um período de 15 anos.
Número de pacientes
Um total de 1.688 pacientes do sexo feminino foi incluído na análise.
Período de inclusão
Os dados foram coletados entre 2007 e 2022 na Medical University of Vienna.
Materiais e Métodos
O estudo analisou retrospectivamente dados de 1.688 mulheres diagnosticadas com BHA ou IUM. Os dados coletados incluíram características demográficas, características clínicas, modalidades de tratamento e desfechos, obtidos de prontuários médicos, diários vesicais de três dias, questionários ICIQ e cistometria.
As modalidades de tratamento avaliadas incluíram terapias comportamentais (treinamento vesical, treinamento dos músculos do assoalho pélvico), agentes farmacológicos (antimuscarínicos, agonistas beta-3, estrogênio local) e procedimentos avançados (neuromodulação, injeções de toxina botulínica). A polifarmácia foi definida como o uso concomitante de mais de cinco medicamentos diferentes.
As análises estatísticas incluíram estatísticas descritivas, análise de sobrevida de Kaplan-Meier, modelo de riscos proporcionais de Cox, teste de soma de postos de Wilcoxon, teste de Barnard, teste do qui-quadrado e regressão logística ordinal. O estudo recebeu aprovação do Comitê de Ética da Medical University of Vienna.
Desfechos
Os desfechos primários foram o sucesso terapêutico (sem sucesso, sucesso parcial, sucesso completo) e o tempo até o sucesso. Os desfechos secundários incluíram a identificação de fatores preditivos de sucesso terapêutico e adesão ao tratamento a longo prazo.
Critérios de inclusão e exclusão mais relevantes
Inclusão: Mulheres diagnosticadas com síndrome da bexiga hiperativa ou incontinência urinária mista.
Exclusão: Não se aplica explicitamente, mas o estudo excluiu infecção do trato urinário ou outras patologias detectáveis como causa dos sintomas.
Resultados
O estudo revelou diferenças significativas entre pacientes com BHA e IUM:
Características Demográficas: Pacientes com IUM eram mais jovens, apresentavam índice de massa corporal (IMC) mais elevado, mais comorbidades e sintomas mais graves em comparação com pacientes com BHA. Pacientes com BHA eram mais frequentemente pós-menopáusicas e apresentavam melhor sucesso terapêutico precoce.
Preditores de Sucesso Terapêutico: Polifarmácia, obesidade, noctúria e diagnóstico de IUM foram associados a taxas de sucesso terapêutico mais baixas. Estrogênio local, subtipo específico de bexiga hiperativa e menor número de medicamentos foram preditores de melhores resultados e resposta mais precoce.
Modalidades de Tratamento: Treinamento do assoalho pélvico foi mais comum em pacientes com IUM, enquanto antimuscarínicos e estrogênio local foram mais comuns em pacientes com BHA.
Frequência Miccional: Idade mais jovem foi preditor significativo de frequência miccional mais elevada. A frequência noturna aumentou com a idade e com o IMC, correlacionando-se também com polifarmácia e paridade.
Evolução Temporal: As curvas de Kaplan-Meier indicaram melhora precoce para a maioria dos pacientes, mas alguns necessitaram de acompanhamento a longo prazo. Uma proporção significativa de pacientes foi perdida no seguimento precocemente após a apresentação inicial.
Conclusão do Trabalho
O estudo demonstra a importância de estratégias de tratamento personalizadas para mulheres com BHA e IUM, considerando as características individuais do paciente e o histórico de tratamento para melhorar os resultados. A adesão a longo prazo à terapia é crucial, necessitando refinamento das intervenções terapêuticas. A identificação da polifarmácia como preditor significativo de falha terapêutica destaca a necessidade de revisão de medicamentos nesses pacientes.
Comentário Editorial
Referência
Koch M, Sayahpour H, Carlin GL, Dorittke T, Loimer R, Dibon A, Umek W, Heinzl F, Bodner-Adler B. Characteristics of female overactive bladder syndrome: Results from a large retrospective cohort spanning 15 years. Maturitas. 2025 Nov;202:108736. doi: 10.1016/j.maturitas.2025.108736. Epub 2025 Sep 18. PMID: 41027229.

