Carregando...
Noticias > FDA concede Revisão Prioritária para belzutifano + pembrolizumabe como terapia adjuvante no carcinoma de células renais de células claras

FDA concede Revisão Prioritária para belzutifano + pembrolizumabe como terapia adjuvante no carcinoma de células renais de células claras

em Março 2026

teste

A Food and Drug Administration (FDA) dos Estados Unidos concedeu o status de Revisão Prioritária para duas aplicações suplementares (sNDA) buscando a aprovação do belzutifano (Welireg) em combinação com o pembrolizumabe (Keytruda) como terapia adjuvante em adultos com carcinoma de células renais de células claras (ccCCR) com risco aumentado de recorrência após nefrectomia. A data-alvo de decisão final (PDUFA) foi estabelecida para 19 de junho de 2026.

A submissão é respaldada pelos resultados do ensaio clínico de Fase 3 LITESPARK-022 (NCT05239728), apresentado como Late-Breaking Abstract no simpósio ASCO GU 2026, em San Francisco, pelo Dr. Toni K. Choueiri, diretor do Lank Center for Genitourinary Oncology do Dana-Farber Cancer Institute e professor de medicina na Harvard Medical School. O estudo atingiu seu desfecho primário ao demonstrar que a adição do belzutifano ao pembrolizumabe adjuvante reduziu significativamente o risco de recorrência da doença ou morte em 28% (HR 0,72; IC 95%: 0,59-0,87; P = 0,0003) em comparação com o pembrolizumabe isolado.

Contexto clínico

Aproximadamente 40% dos pacientes com carcinoma de células renais podem apresentar crescimento tumoral após o tratamento inicial. Até o momento, o pembrolizumabe em monoterapia era o único agente com aprovação no cenário adjuvante para ccCCR de alto risco, com base no estudo KEYNOTE-564. A combinação com belzutifano, um inibidor do fator induzível por hipóxia 2-alfa (HIF-2α), representa o primeiro regime a demonstrar superioridade sobre uma imunoterapia ativa no cenário adjuvante do câncer renal, posicionando-se como potencial novo padrão de tratamento.

Desenho do estudo

O LITESPARK-022 é um ensaio clínico randomizado de Fase 3 que incluiu 1.841 pacientes com ccCCR confirmado histologicamente, sem terapia sistêmica prévia, submetidos a nefrectomia nas 12 semanas anteriores à randomização, com ECOG Performance Status de 0 ou 1, e classificados como risco intermediário-alto de recorrência, alto risco de recorrência ou M1 sem evidência de doença (NED). Os participantes foram randomizados 1:1 para receber pembrolizumabe 400 mg a cada 6 semanas por aproximadamente 1 ano (até 9 ciclos) associado a belzutifano 120 mg/dia por até 54 semanas (n=921), ou pembrolizumabe na mesma posologia associado a placebo (n=920). O desfecho primário foi Sobrevida Livre de Doença (SLD) por avaliação do investigador, e a Sobrevida Global (SG) foi o desfecho secundário-chave.

Resultados principais

Com mediana de seguimento de 28,4 meses, a mediana de SLD não foi atingida em nenhum dos braços. A taxa estimada de SLD em 24 meses foi de 80,7% (IC 95%: 77,7-83,2) no braço da combinação versus 73,7% (IC 95%: 70,6-76,6) na monoterapia. A análise de subgrupos demonstrou benefício consistente na maioria das categorias avaliadas (idade, sexo, raça, ECOG, região geográfica, status de PD-L1, categoria de risco e grau tumoral), com a maioria dos hazard ratios abaixo de 1,0. A análise interina de SG mostrou tendência favorável (HR 0,78; IC 95%: 0,51-1,19; P = 0,1220), embora ainda sem significância estatística.

Quanto à segurança, eventos adversos de grau 3 ou superior foram reportados em 52,1% dos pacientes no braço combinado versus 30,2% na monoterapia. Os eventos adversos emergentes do tratamento mais relevantes foram anemia (12,1% vs. 0,5%), elevação de alanina aminotransferase (6,4% vs. 2,0%) e hipóxia (4,6% vs. 0%). A taxa de eventos adversos grau 5 foi comparável entre os grupos (1,1% vs. 1,2%), assim como a incidência de eventos adversos relacionados ao tratamento (0,3% em cada braço). Um total de 636 pacientes (69,5%) completou o tratamento no braço do belzutifano e 649 (71,1%) no braço placebo.

Implicações para a prática

A combinação de belzutifano e pembrolizumabe é o primeiro regime no cenário adjuvante do câncer renal a demonstrar melhora na sobrevida livre de doença sobre a monoterapia com pembrolizumabe, posicionando este esquema para potencialmente remodelar a prática clínica pós-nefrectomia. Para o urologista, isso reforça a importância de uma colaboração estreita com a oncologia clínica na definição da estratégia pós-operatória, além da necessidade de monitoramento atento para eventos adversos como anemia e hipóxia, que são significativamente mais frequentes com a combinação. A Merck informou que também planeja compartilhar esses dados com autoridades regulatórias globais.

Fonte: | | ASCO GU 2026 (Abstract LBA418)