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PCWG4 Redefine a Terminologia e as Diretrizes Metodológicas de Ensaios Clínicos no Câncer de Próstata na Era do PSMA-PET

em Abril 2026

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O Prostate Cancer Working Group 4 (PCWG4) publicou suas recomendações atualizadas no Journal of Clinical Oncology, representando a mais significativa revisão das diretrizes metodológicas de pesquisa clínica em câncer de próstata em uma década. As diretrizes foram apresentadas no ASCO GU 2026 em San Francisco e são fruto do trabalho colaborativo de 65 especialistas internacionais organizados em mais de 10 grupos de trabalho ao longo de quase 10 anos, sob a coordenação de Andrew J. Armstrong, MD (Duke University), Howard I. Scher, MD, e Michael J. Morris, MD.

Contexto clínico

Desde o PCWG3, o cenário do câncer de próstata avançado passou por transformações profundas. A incorporação rotineira do PET/CT com PSMA no estadiamento, a disseminação dos testes genômicos e a migração de terapias como inibidores de PARP, radioligantes e imunoterápicos para estágios mais precoces da doença tornaram as diretrizes metodológicas anteriores insuficientes para orientar o desenho de ensaios clínicos modernos. O PCWG4 surge para preencher essa lacuna, padronizando como resposta e progressão devem ser medidas em um cenário de crescente complexidade terapêutica.

Principais mudanças

A mudança mais emblemática é a substituição da terminologia baseada em "castração". Os termos "sensível à castração" e "resistente à castração" são substituídos pelo conceito de Moduladores da Via Androgênica (APM, do inglês Androgen Pathway Modulators). Sob essa nova nomenclatura, os estados de doença passam a ser classificados como APMN (naïve, antes do tratamento), APMS (sensível/respondendo ao tratamento) e APMR (resistente, após progressão). Essa terminologia é aplicável a qualquer classe terapêutica, incluindo inibidores de PARP, taxanos e radioligantes, e permite a sobreposição de camadas adicionais como genótipo (mutações em BRCA2, por exemplo), padrão de disseminação e sintomas.

No campo da imagem, o PCWG4 estabelece pela primeira vez critérios para o uso do PET/CT com PSMA como ferramenta de avaliação de resposta e progressão em ensaios clínicos, indo além do seu papel já consolidado no estadiamento. A remissão completa é definida como o desaparecimento de todas as lesões, enquanto a progressão requer a identificação de duas ou mais novas lesões. O grupo reconhece que a resposta parcial ainda carece de definição consensual e recomenda a coleta prospectiva de dados para validação futura.

Além disso, o PCWG4 incorpora formalmente endpoints intermediários para estudos de fase 2, incluindo nadir de PSA, declínios de PSA, DNA tumoral circulante (ctDNA) e desfechos relatados pelo paciente (PROs), ampliando o arsenal de ferramentas disponíveis para a avaliação precoce de eficácia.

Implicações para a prática

As recomendações do PCWG4 terão impacto direto no desenho de todos os futuros ensaios clínicos em câncer de próstata avançado. Para o urologista, a mudança de terminologia exigirá atualização na comunicação com pacientes e equipes multidisciplinares, enquanto a padronização do PSMA-PET em ensaios clínicos reforça a necessidade de familiaridade com essa modalidade de imagem. A incorporação do ctDNA como endpoint intermediário sinaliza uma tendência crescente de medicina de precisão que se estenderá à prática clínica nos próximos anos.

Fonte: Urology Times — Prostate Cancer Working Group 4 redefines trial frameworks in era of PSMA-PET and precision oncolog