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Semaglutida vs. Undecanoato de Testosterona no Hipogonadismo Funcional e Qualidade Seminal

Autores do Artigo: 

Nadan Gregorič, Jaka Šikona, Andrej Janež, Mojca Jensterle

Journal

Diabetes, Obesity and Metabolism (DOM)

Data da publicação

Fevereiro 2025

Editor de Seção

  

Introdução

Mais de um terço dos homens com diabetes mellitus tipo 2 (DM2) e obesidade apresenta hipogonadismo funcional (HF), caracterizado por níveis baixos de testosterona e gonadotropinas normais ou inadequadamente baixas, sem causa orgânica identificável. Embora a terapia de reposição de testosterona (TRT) seja o tratamento padrão para mitigar os sintomas de hipogonadismo, ela suprime profundamente o eixo hipotálamo-hipófise-gonadal (HHG), o que frequentemente compromete a espermatogênese e inviabiliza o tratamento em homens com desejo de fertilidade. Os agonistas do receptor de GLP-1, como a semaglutida, promovem perda de peso significativa e redução da inflamação sistêmica, oferecendo uma via fisiológica potencial para a restauração do eixo endócrino masculino.

Objetivo

Comparar os efeitos da semaglutida e da terapia de reposição de testosterona (TRT) nos parâmetros seminais e nos sintomas de hipogonadismo funcional em homens obesos com diabetes tipo 2.

Desenho do estudo

Ensaio clínico randomizado, controlado, aberto, de braço duplo e centro único.

Número de pacientes

25 pacientes randomizados (13 no grupo semaglutida e 12 no grupo TRT).

Período de inclusão

Novembro de 2020 a maio de 2023, com duração de intervenção de 24 semanas.

Materiais e Métodos

Homens de 18 a 65 anos com DM2 sob antidiabéticos orais, IMC > 30 kg/m² e hipogonadismo funcional (testosterona total < 11 nmol/L em duas coletas matinais e sintomas de disfunção sexual) foram randomizados 1:1. O grupo Semaglutida (SEMA) recebeu aplicação subcutânea semanal de 1 mg. O grupo TRT recebeu injeções intramusculares de undecanoato de testosterona 1.000 mg a cada 10 a 12 semanas. As avaliações basais e pós-intervenção (24 semanas) incluíram análise seminal computadorizada completa, dosagem de testosterona total, LH, FSH, SHBG, além do preenchimento dos questionários validados International Index of Erectile Function-15 (IIEF-15) e Aging Symptoms in Men (AMS).

Desfechos

Os desfechos avaliados incluíram a variação nos parâmetros de qualidade seminal (concentração, contagem total, motilidade e morfologia de Kruger), níveis de testosterona total e escores de qualidade de vida e função sexual (AMS e IIEF-15).

Critérios de inclusão e exclusão mais relevantes

Inclusão: Homens (18-65 anos) com DM2 controlado por hipoglicemiantes orais, IMC > 30 kg/m² e diagnóstico confirmado de hipogonadismo funcional com sintomas clínicos associados.

Exclusão: Hipogonadismo orgânico (primário ou secundário), uso de insulina, histórico de câncer de próstata ou PSA > 3,0 ng/mL, IPSS > 19, hematócrito > 50%, insuficiência renal ou hepática grave, ou uso de medicações que alterem o eixo HHG.

Resultados

Inclusão: Homens (18-65 anos) com DM2 controlado por hipoglicemiantes orais, IMC > 30 kg/m² e diagnóstico confirmado de hipogonadismo funcional com sintomas clínicos associados.•Exclusão: Hipogonadismo orgânico (primário ou secundário), uso de insulina, histórico de câncer de próstata ou PSA > 3,0 ng/mL, IPSS > 19, hematócrito > 50%, insuficiência renal ou hepática grave, ou uso de medicações que alterem o eixo HHG.

Conclusão do Trabalho

A semaglutida melhorou de forma marcante a morfologia espermática, elevou os níveis de testosterona total e atenuou os sintomas de hipogonadismo em homens obesos com diabetes tipo 2. Esses achados destacam o potencial da semaglutida como uma abordagem terapêutica de primeira linha para homens com hipogonadismo funcional associado à obesidade que desejam preservar ou otimizar seu potencial fértil.

Comentário Editorial

Este ensaio clínico randomizado, embora de tamanho amostral modesto (n=25), é de extrema relevância clínica e pioneiro ao realizar uma comparação direta (head-to-head) entre a semaglutida e o undecanoato de testosterona. Ele preenche uma lacuna crítica no arsenal terapêutico do urologista que atua na interface entre andrologia, infertilidade e metabologia.A principal força do estudo é demonstrar que a melhora metabólica profunda induzida pelo agonista de receptor de GLP-1 é capaz de reativar o eixo HHG de forma endógena e fisiológica, alcançando níveis de testosterona comparáveis aos da TRT sem o efeito colateral deletério da supressão gonadal e da consequente deterioração seminal. As limitações óbvias residem no desenho aberto, no curto período de acompanhamento (24 semanas) e na amostra pequena, o que impede a avaliação de desfechos reprodutivos robustos como taxa de gravidez e nascidos vivos.Na prática diária, este estudo muda a conduta diante do paciente obeso e diabético com hipogonadismo funcional: se houver desejo de paternidade ativa ou preservação da fertilidade, a TRT deve ser evitada e a semaglutida surge como uma indicação científica baseada em evidência de alto nível para tratar o hipogonadismo e, simultaneamente, melhorar o perfil seminal. A TRT permanece superior para a melhora rápida da disfunção erétil (IIEF-15), mas deve ser reservada para aqueles sem planejamento reprodutivo.

Referência

Gregorič N, Šikonja J, Janež A, Jensterle M. Semaglutide improved sperm morphology in obese men with type 2 diabetes mellitus and functional hypogonadism. Diabetes Obes Metab. 2025;27(2):519-528. doi: 10.1111/dom.16042.