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Bexiga hiperativa induzida por isotretinoína – um caso novo e revisão da literatura

Autores do Artigo: 

Rowan Klein Nulend, Mohan Arianayagam, Audrey Wang

Journal

Continence Reports

Data da publicação

Dezembro 2025

Autor do Resumo

Editor de Seção

  

Introdução

A isotretinoína, um retinoide derivado da vitamina A usado para acne grave, é associada a efeitos colaterais mucocutâneos, metabólicos e urológicos raros, como uretrite e hematúria. Este relato descreve o primeiro caso de bexiga hiperativa (BH) induzida por isotretinoína oral em um homem de 29 anos, sem hiperatividade detrusora na urodinâmica.

Objetivo

Relatar um caso inédito de BH associada à isotretinoína e revisar mecanismos potenciais baseados em literatura e estudos animais.

Desenho do estudo

Relato de caso com revisão narrativa da literatura.

Materiais e Métodos

Caso clínico obtido no Department of Urology do Westmead Hospital, Sydney, Austrália (afiliado à University of Sydney), com dados coletados durante atendimento em 2025. Estratégia de revisão: busca narrativa de relatos urológicos prévios da isotretinoína (uretrite, hematúria, nefrites) e estudos animais em ratos com acetato de retínil intravesical ou isotretinoína intraperitoneal para avaliar parâmetros cistométricos.

Resultados

Homem de 29 anos sem história urológica prévia iniciou isotretinoína oral para acne grave há 7 anos; sintomas de BH (urgência miccional intensa, micções 20x/dia e 5x/noite, sem incontinência) surgiram logo após, com ingestão hídrica de 3 L/dia + 1 café + 2 chás/dia. Análise de urina normal; exclusão de infecções e outras causas. Sintomas resolveram com interrupção inicial da medicação. Reinício recente provocou recidiva rápida, persistindo por 4 dias pós-nova interrupção apesar de cessação.
Urodinâmica (2 meses pós-parada): complacência normal, ausência de hiperatividade detrusora, desejo miccional a 138 mL, capacidade cistométrica 220 mL, volume miccionado 555 mL, Qmax 16 mL/s, PdetQmax 41 cmH2O (BOOI=9, sem obstrução), resíduo pós-miccional 0 mL.
Tratamento com oxibutinina e mirabegron trouxe melhora parcial.
Em estudos animais se observou que acetato de retínil intravesical ou isotretinoína intraperitoneal induziram hiperatividade detrusora reversível por anticolinérgicos; histologia mostrou afinamento urotelial leve e hiperemia sutil.

Conclusão do Trabalho

Primeira descrição de BH por isotretinoína sistêmica; efeitos urológicos dos retinoides são multifatoriais (polidipsia por secura mucosa, irritação urotelial, possível aumento de acetilcolina via receptor M3 e ativação TRPV1), sub-reconhecidos e necessitam mais estudos.

Comentário Editorial

Este caso inédito destaca BH como efeito potencial da isotretinoína em jovens com acne, útil para urologistas/dermatologistas monitorarem sintomas urinários e considerarem interrupção precoce ou anticolinérgicos (ex.: oxibutinina).

Como limitações, destaco que se trata de relato isolado, sem dose exata, urodinâmica pós-uso e resolução incompleta.

No entanto, para melhor compreensão dessa relação, estudos prospectivos validando mecanismos (acetilcolina/TRPV1) e protocolos de triagem em pacientes de risco, integrando equipes multidisciplinares, serão importantes. 

Referência

Klein Nulend R, Arianayagam M, Wang A. Isotretinoin induced overactive bladder – a novel case and review of literature. Continence Reports. 2026;17:100100. doi:10.1016/j.contre.2025.100100.