
Eficácia e Segurança da Nefrolitotomia Percutânea Miniaturizada com Sucção: Uma Meta-análise da EAU
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Introdução
A nefrolitotomia percutânea miniaturizada (mini-PCNL) consolidou-se como uma alternativa menos invasiva à PCNL padrão, reduzindo o risco de sangramento e complicações relacionadas ao trajeto. No entanto, a miniaturização do trato (geralmente 14-20 Fr) pode comprometer a eficiência da remoção de fragmentos e aumentar a pressão intrarrenal, elevando o risco de infecção pós-operatória. Para superar esses desafios, sistemas de bainha de acesso com sucção integrada foram desenvolvidos. A seção de Endourologia da Associação Europeia de Urologia (EAU) conduziu esta meta-análise para avaliar se a adição de sucção à mini-PCNL melhora os desfechos clínicos.
Objetivo
Comparar a eficácia (taxa livre de cálculos - SFR) e a segurança (complicações, especialmente infecciosas) da mini-PCNL com sucção (S-mPCNL) versus a mini-PCNL convencional (C-mPCNL) no tratamento de cálculos renais.
Desenho do estudo
Revisão sistemática e meta-análise.
Número de pacientes
2.510 pacientes (provenientes de 14 estudos comparativos).
Período de inclusão
Busca nas bases de dados até 2024.
Materiais e Métodos
Os autores realizaram uma busca sistemática na literatura por ensaios clínicos randomizados e estudos observacionais comparando S-mPCNL e C-mPCNL. Os desfechos primários avaliados foram a taxa livre de cálculos (SFR) e a incidência de complicações pós-operatórias (febre, sepse, sangramento). Desfechos secundários incluíram tempo operatório e tempo de internação hospitalar. A análise estatística utilizou odds ratios (OR) e diferenças médias ponderadas (WMD).
Critérios de inclusão e exclusão mais relevantes
Foram incluídos estudos que compararam diretamente a mini-PCNL com bainha de sucção versus a mini-PCNL com bainha convencional em pacientes adultos com cálculos renais. Estudos que utilizaram PCNL padrão (>22 Fr) ou micro-PCNL (<14 Fr) foram excluídos.
Resultados
A meta-análise demonstrou que a S-mPCNL proporcionou uma taxa livre de cálculos (SFR) significativamente maior em comparação à C-mPCNL (OR 1.92, IC 95% 1.57-2.35, p < 0.001).
Em relação à segurança, a S-mPCNL reduziu drasticamente as complicações infecciosas: a incidência de febre pós-operatória foi 55% menor (OR 0.45, p < 0.001) e a taxa de sepse foi igualmente reduzida (OR 0.45, p = 0.03).
Além disso, o tempo operatório foi significativamente menor no grupo com sucção (WMD -17.45 minutos, p < 0.001), assim como o tempo de internação hospitalar (WMD -0.79 dias, p = 0.03). Não houve diferença significativa nas taxas de transfusão sanguínea ou queda de hemoglobina entre os grupos.
Comentário Editorial
Esta meta-análise da EAU, publicada no BJUI, fornece a evidência de nível 1a que faltava para consolidar a bainha de sucção como o novo padrão-ouro na mini-PCNL. A miniaturização do trato percutâneo sempre trouxe o dilema do aumento da pressão intrarrenal e da dificuldade de extração de fragmentos (o "efeito tempestade de neve"). A sucção ativa resolve ambos os problemas simultaneamente: mantém a pressão intrarrenal baixa (reduzindo febre e sepse pela metade) e aspira ativamente os fragmentos (aumentando a SFR e reduzindo o tempo cirúrgico em quase 20 minutos). Para o endourologista, a transição da mini-PCNL convencional para a S-mPCNL representa um ganho duplo em eficiência e segurança, justificando o investimento na tecnologia de sucção, independentemente da fonte de energia utilizada (laser ou litotripsia pneumática/mecânica).
Referência
Adhoni MZU, Pooley E, Byrnes K, Tzelves L, Juliebo-Jones P, Gauhar V, Yuen SKK, Traxer O, Somani B. Suction in mini-percutaneous nephrolithotomy: a meta-analysis from the EAU Section of Endourology. BJU Int. 2025;137(Suppl 3). doi:10.1111/bju.16891
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