
Laser versus Litotripsia Mecânica na Nefrolitotomia Percutânea Miniaturizada com Sucção: Resultados do Registro Multicêntrico STUMPS
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Introdução
A nefrolitotomia percutânea miniaturizada com sucção (S-mPCNL) tornou-se uma técnica de escolha para o tratamento de cálculos renais de tamanho intermediário a grande, combinando a baixa morbidade dos tratos menores com a alta eficiência de remoção de fragmentos proporcionada pela sucção ativa. No entanto, a escolha da fonte de energia ideal para a fragmentação dos cálculos neste cenário permanece controversa. Enquanto os lasers de alta potência (Holmium:YAG e Thulium Fiber Laser - TFL) dominam a endourologia flexível, a litotripsia mecânica/pneumática/ultrassônica continua sendo amplamente utilizada na PCNL devido à sua capacidade de fragmentação rápida e custo-efetividade. O registro STUMPS (Suction in Tracts Under Mini-Percutaneous Surgery) da EAU foi desenhado para avaliar desfechos no mundo real.
Objetivo
Comparar a eficácia e a segurança do laser versus litotripsia mecânica (incluindo pneumática, ultrassônica ou combinada) durante a nefrolitotomia percutânea miniaturizada com sucção (S-mPCNL).
Desenho do estudo
Estudo de coorte prospectivo, multicêntrico e observacional (Registro STUMPS).
Número de pacientes
1.716 pacientes (provenientes de 30 centros internacionais).
Período de inclusão
Setembro de 2022 a Março de 2024.
Materiais e Métodos
Os dados foram extraídos prospectivamente do registro STUMPS, coordenado pela EULIS. Os pacientes foram divididos em dois grupos com base na fonte de energia utilizada: Laser (n = 1.058) e Mecânica (n = 658). A litotripsia mecânica incluiu dispositivos pneumáticos, ultrassônicos ou a combinação de ambos (ex: LithoClast Master). Todos os procedimentos utilizaram bainhas de acesso percutâneo com sucção integrada (tamanhos 14 a 20 Fr). O desfecho primário foi a taxa livre de cálculos (SFR) em 30 dias, avaliada por tomografia computadorizada sem contraste (NCCT). Desfechos secundários incluíram tempo operatório, tempo de fluoroscopia, taxa de complicações (classificação de Clavien-Dindo) e tempo de internação. A análise estatística utilizou regressão logística multivariável para ajustar fatores de confusão (tamanho do cálculo, densidade, anomalias anatômicas).
Critérios de inclusão e exclusão mais relevantes
Foram incluídos pacientes adultos submetidos à S-mPCNL para tratamento de cálculos renais. Foram excluídos pacientes com dados incompletos de acompanhamento em 30 dias ou aqueles submetidos a procedimentos combinados (ex: ECIRS - Endoscopic Combined IntraRenal Surgery).
Resultados
A taxa livre de cálculos (SFR) em 30 dias foi comparável entre os dois grupos: 82,4% no grupo Laser e 80,1% no grupo Mecânica (p = 0,23). Após ajuste multivariável, a fonte de energia não foi um preditor independente de SFR.
O tempo operatório foi significativamente menor no grupo de litotripsia mecânica (mediana de 45 min vs. 55 min no grupo Laser, p < 0,001). O tempo de fluoroscopia também foi menor no grupo mecânico (mediana de 120 s vs. 150 s, p = 0,01).
Em relação à segurança, a taxa global de complicações foi semelhante (12,5% Laser vs. 11,8% Mecânica, p = 0,67). No entanto, o grupo Laser apresentou uma taxa ligeiramente maior de complicações infecciosas leves (febre pós-operatória: 4,5% vs. 2,8%, p = 0,04), possivelmente relacionada ao maior tempo operatório e ao efeito térmico. Não houve diferença nas taxas de sangramento com necessidade de transfusão (1,2% vs. 1,5%, p = 0,55).
Comentário Editorial
Este estudo monumental do registro STUMPS, publicado no BJUI Compass, traz uma mensagem tranquilizadora e pragmática para os urologistas: na era da mini-PCNL com sucção, a litotripsia mecânica/pneumática não está obsoleta. Pelo contrário, ela se mostrou tão eficaz quanto os modernos lasers de alta potência na obtenção de taxas livres de cálculos (SFR > 80%), com a vantagem de um tempo operatório significativamente menor (redução de 10 minutos na mediana). A sucção ativa parece ser o grande "equalizador" aqui: ao remover rapidamente os fragmentos gerados pelos litotritores mecânicos (que tendem a produzir fragmentos maiores que o "dusting" do laser), a bainha de sucção maximiza a eficiência da energia mecânica e previne a elevação da pressão intrarrenal. Para centros com recursos limitados ou que já possuem equipamentos pneumáticos/ultrassônicos robustos, a combinação destes com bainhas de sucção descartáveis oferece uma relação custo-benefício excepcional, sem comprometer a segurança ou a eficácia em comparação aos caros sistemas de laser.
Referência
Cormio L, et al. Laser versus mechanical lithotripsy in suction-assisted miniaturized percutaneous nephrolithotomy: results from the STUMPS registry. BJUI Compass. 2025;6(1):70075. doi:10.1002/bco2.70075.
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