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Implante de prótese peniana inflável na doença de Peyronie: uma revisão das considerações cirúrgicas, abordagens e manobras

Autores do Artigo: 

Good J, Crist N, Henderson B, Karcher C, Sencaj J, Bernie HL

Journal

Translational Andrology and Urology

Data da publicação

Janeiro 2024

Autor do Resumo

Editor de Seção

  

Introdução

A Doença de Peyronie (DP) é um distúrbio de cicatrização que resulta no desenvolvimento de uma placa fibrosa na túnica albugínea, causando curvatura ou deformidade peniana, com uma prevalência estimada entre 0,5% a 13,1% nos Estados Unidos. A disfunção erétil (DE) concomitante é comum, afetando até 58% dos pacientes com DP. Enquanto o tratamento para a DP pode envolver terapias intralesionais ou tração, o implante de prótese peniana inflável (PPI) é considerado o padrão-ouro para homens com DE moderada a grave concomitante e refratária ao tratamento médico.

Objetivo

O objetivo deste artigo é apresentar uma revisão abrangente das considerações cirúrgicas, abordagens e manobras adjuvantes de retificação que podem ser utilizadas durante a colocação de PPI em homens com DP e DE refratária, visando atingir uma ereção funcionalmente reta.

Desenho do estudo

Artigo de Revisão que compila e analisa a literatura existente sobre técnicas cirúrgicas, seleção de pacientes e desfechos relacionados ao implante de prótese em pacientes com DP.

Número de pacientes

Como é um artigo de revisão, não há um número único de pacientes (N). O texto cita múltiplos estudos com coortes variadas, como a série de Wilson e Delk (n=118) sobre modelagem, o estudo de Sansalone et al. (n=23) sobre enxerto circunferencial, e o estudo de Egydio et al. (n=143) sobre a técnica de deslizamento modificada (MoST).

Período de inclusão

Não aplicável (Artigo de Revisão).

Materiais e Métodos

Os autores revisaram as indicações, critérios de seleção de pacientes e as diferentes abordagens cirúrgicas para inserção de PPI (penoescrotal, infrapúbica e subcoronal),. O artigo detalha manobras adjuvantes para correção de curvatura residual, incluindo:
1. Modelagem Manual: Dobrar o pênis na direção oposta à curvatura com a prótese inflada.
2. Plicatura: Suturas na túnica albugínea para corrigir curvaturas residuais >30 graus após modelagem,.
3. Incisão/Excisão de Placa com Enxerto: Para curvaturas graves (>60 graus) ou defeitos complexos,.
4. Técnicas de Alongamento: Como as técnicas de deslizamento (Sliding Technique, MoST, MuST) para preservação ou ganho de comprimento,. Os autores também apresentam um fluxograma para auxiliar na tomada de decisão intraoperatória.

Desfechos

Os principais desfechos avaliados na literatura revisada incluem a retificação peniana (curvatura residual <10-20 graus), satisfação do paciente, preservação ou ganho de comprimento peniano, e complicações pós-operatórias (como infecção, parestesia ou falha mecânica).

Critérios de inclusão e exclusão mais relevantes

• Inclusão (Indicação para PPI): Pacientes com DP e DE concomitante que falharam à terapia médica ou homens com deformidades graves e complexas com fatores de risco para DE. A cirurgia é tipicamente realizada na fase crônica da doença (estável por 3 meses), embora possa ser considerada na fase aguda em casos específicos.

• Exclusão/Contraindicações: Pacientes com expectativas irreais ("CURSED Patient": compulsivo/obsessivo, irrealista, revisão, busca por vários cirurgiões, sentimento de direito, negação e condições psiquiátricas) são considerados de alto risco para insatisfação. O uso de prótese maleável pode ser preferível em pacientes com destreza manual diminuída.

Resultados

• Modelagem: A PPI isolada pode corrigir a curvatura em muitos casos. A modelagem manual é eficaz em curvaturas <30-60 graus, com taxas de sucesso relatadas de 84% a 91% na redução da curvatura para níveis insignificantes (<10 graus).
• Plicatura: Indicada quando há curvatura residual >30 graus após modelagem. É eficaz, mas frequentemente associada a encurtamento peniano subjetivo ou objetivo.
• Enxerto: Técnicas de incisão/excisão com enxerto são reservadas para curvaturas graves (>60 graus) ou quando a perda de comprimento é uma preocupação. Estudos mostram ganhos de comprimento (média de 2,8 cm em uma série) e alta satisfação, mas são procedimentos mais invasivos,.
• Técnicas de Deslizamento (Sliding/MoST/MuST): Permitem ganho de comprimento significativo (média de 3,1 cm a 3,6 cm relatada em estudos), mas possuem maior complexidade técnica e riscos potenciais, como isquemia de glande, exigindo cirurgiões experientes.
• Abordagens Cirúrgicas: A via penoescrotal é a mais comum e facilita manobras adjuvantes; a infrapúbica permite visualização direta do reservatório, mas dificulta o acesso distal; a subcoronal oferece excelente exposição para reconstrução complexa, mas com maior risco de complicações cutâneas.

Conclusão do Trabalho

A PPI permanece o padrão-ouro para pacientes com DP e DE moderada a grave refratária. Existem múltiplas abordagens cirúrgicas e manobras adjuvantes (modelagem, plicatura, enxerto) que podem ser realizadas para retificar o pênis. O sucesso depende da experiência do cirurgião, seleção correta do paciente e aconselhamento pré e pós-operatório para alinhar expectativas, sendo o objetivo final uma ereção funcionalmente reta para penetração.

Comentário Editorial

Esta revisão é um excelente compêndio prático para o urologista protético. O destaque é o fluxograma de decisão intraoperatória proposto pelos autores, que sugere uma escada terapêutica: iniciar com a modelagem manual (menos invasiva), progredir para plicatura se a curvatura residual for >30 graus, e reservar enxertos ou técnicas de deslizamento para curvaturas >60 graus ou quando o comprimento peniano for uma preocupação crítica. O artigo enfatiza a importância de dominar múltiplas técnicas para personalizar o tratamento à anatomia e aos desejos do paciente.

Referência

Good J, Crist N, Henderson B, Karcher C, Sencaj J, Bernie HL. Inflatable penile prosthesis placement in Peyronie’s disease: a review of surgical considerations, approaches, and maneuvers. Transl Androl Urol 2024;13(1):139-155. doi: 10.21037/tau-23-180