
Semaglutida vs. Undecanoato de Testosterona no Hipogonadismo Funcional e Qualidade Seminal
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Introdução
Mais de um terço dos homens com diabetes mellitus tipo 2 (DM2) e obesidade apresenta hipogonadismo funcional (HF), caracterizado por níveis baixos de testosterona e gonadotropinas normais ou inadequadamente baixas, sem causa orgânica identificável. Embora a terapia de reposição de testosterona (TRT) seja o tratamento padrão para mitigar os sintomas de hipogonadismo, ela suprime profundamente o eixo hipotálamo-hipófise-gonadal (HHG), o que frequentemente compromete a espermatogênese e inviabiliza o tratamento em homens com desejo de fertilidade. Os agonistas do receptor de GLP-1, como a semaglutida, promovem perda de peso significativa e redução da inflamação sistêmica, oferecendo uma via fisiológica potencial para a restauração do eixo endócrino masculino.
Objetivo
Comparar os efeitos da semaglutida e da terapia de reposição de testosterona (TRT) nos parâmetros seminais e nos sintomas de hipogonadismo funcional em homens obesos com diabetes tipo 2.
Desenho do estudo
Ensaio clínico randomizado, controlado, aberto, de braço duplo e centro único.
Número de pacientes
25 pacientes randomizados (13 no grupo semaglutida e 12 no grupo TRT).
Período de inclusão
Novembro de 2020 a maio de 2023, com duração de intervenção de 24 semanas.
Materiais e Métodos
Homens de 18 a 65 anos com DM2 sob antidiabéticos orais, IMC > 30 kg/m² e hipogonadismo funcional (testosterona total < 11 nmol/L em duas coletas matinais e sintomas de disfunção sexual) foram randomizados 1:1. O grupo Semaglutida (SEMA) recebeu aplicação subcutânea semanal de 1 mg. O grupo TRT recebeu injeções intramusculares de undecanoato de testosterona 1.000 mg a cada 10 a 12 semanas. As avaliações basais e pós-intervenção (24 semanas) incluíram análise seminal computadorizada completa, dosagem de testosterona total, LH, FSH, SHBG, além do preenchimento dos questionários validados International Index of Erectile Function-15 (IIEF-15) e Aging Symptoms in Men (AMS).
Desfechos
Os desfechos avaliados incluíram a variação nos parâmetros de qualidade seminal (concentração, contagem total, motilidade e morfologia de Kruger), níveis de testosterona total e escores de qualidade de vida e função sexual (AMS e IIEF-15).
Critérios de inclusão e exclusão mais relevantes
Inclusão: Homens (18-65 anos) com DM2 controlado por hipoglicemiantes orais, IMC > 30 kg/m² e diagnóstico confirmado de hipogonadismo funcional com sintomas clínicos associados.
Exclusão: Hipogonadismo orgânico (primário ou secundário), uso de insulina, histórico de câncer de próstata ou PSA > 3,0 ng/mL, IPSS > 19, hematócrito > 50%, insuficiência renal ou hepática grave, ou uso de medicações que alterem o eixo HHG.
Resultados
Inclusão: Homens (18-65 anos) com DM2 controlado por hipoglicemiantes orais, IMC > 30 kg/m² e diagnóstico confirmado de hipogonadismo funcional com sintomas clínicos associados.•Exclusão: Hipogonadismo orgânico (primário ou secundário), uso de insulina, histórico de câncer de próstata ou PSA > 3,0 ng/mL, IPSS > 19, hematócrito > 50%, insuficiência renal ou hepática grave, ou uso de medicações que alterem o eixo HHG.
Conclusão do Trabalho
A semaglutida melhorou de forma marcante a morfologia espermática, elevou os níveis de testosterona total e atenuou os sintomas de hipogonadismo em homens obesos com diabetes tipo 2. Esses achados destacam o potencial da semaglutida como uma abordagem terapêutica de primeira linha para homens com hipogonadismo funcional associado à obesidade que desejam preservar ou otimizar seu potencial fértil.
Comentário Editorial
Este ensaio clínico randomizado, embora de tamanho amostral modesto (n=25), é de extrema relevância clínica e pioneiro ao realizar uma comparação direta (head-to-head) entre a semaglutida e o undecanoato de testosterona. Ele preenche uma lacuna crítica no arsenal terapêutico do urologista que atua na interface entre andrologia, infertilidade e metabologia.A principal força do estudo é demonstrar que a melhora metabólica profunda induzida pelo agonista de receptor de GLP-1 é capaz de reativar o eixo HHG de forma endógena e fisiológica, alcançando níveis de testosterona comparáveis aos da TRT sem o efeito colateral deletério da supressão gonadal e da consequente deterioração seminal. As limitações óbvias residem no desenho aberto, no curto período de acompanhamento (24 semanas) e na amostra pequena, o que impede a avaliação de desfechos reprodutivos robustos como taxa de gravidez e nascidos vivos.Na prática diária, este estudo muda a conduta diante do paciente obeso e diabético com hipogonadismo funcional: se houver desejo de paternidade ativa ou preservação da fertilidade, a TRT deve ser evitada e a semaglutida surge como uma indicação científica baseada em evidência de alto nível para tratar o hipogonadismo e, simultaneamente, melhorar o perfil seminal. A TRT permanece superior para a melhora rápida da disfunção erétil (IIEF-15), mas deve ser reservada para aqueles sem planejamento reprodutivo.
Referência
Gregorič N, Šikonja J, Janež A, Jensterle M. Semaglutide improved sperm morphology in obese men with type 2 diabetes mellitus and functional hypogonadism. Diabetes Obes Metab. 2025;27(2):519-528. doi: 10.1111/dom.16042.
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