
Efeitos da Terapia de Reposição de Testosterona na Síndrome Metabólica em Pacientes Masculinos: Revisão Sistemática
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Introdução
A Síndrome Metabólica (SM) é caracterizada por um agrupamento de fatores de risco cardiovascular e metabólico, incluindo obesidade central, dislipidemia e resistência à insulina. Em homens, o hipogonadismo apresenta uma relação bidirecional com a SM: a deficiência androgênica favorece o acúmulo de gordura visceral, enquanto a obesidade suprime o eixo gonadal. Embora a Terapia de Reposição de Testosterona (TRT) seja amplamente utilizada para sintomas sexuais, seu impacto direto e isolado nos componentes da SM — separadamente do diabetes tipo 2 franco — tem gerado dados conflitantes na literatura.
Objetivo
Sintetizar e avaliar, através de revisão sistemática e meta-análise, os efeitos diretos da TRT nos componentes específicos da Síndrome Metabólica em pacientes do sexo masculino, excluindo propositalmente casos onde o diabetes tipo 2 constituía o único diagnóstico isolado.
Desenho do estudo
Revisão sistemática seguida de meta-análise de ensaios clínicos controlados.
Número de pacientes
A análise final englobou 249 pacientes do sexo masculino diagnosticados com hipogonadismo e Síndrome Metabólica, provenientes de dois estudos principais (um estudo sediado em Moscou com 184 pacientes e o estudo japonês EARTH com 65 participantes)
Período de inclusão
A busca bibliográfica abrangeu publicações dos últimos 48 anos, contemplando as bases Scopus (1972–2024), PubMed (1976–2024) e Cochrane (1998–2024). Os estudos incluídos tiveram duração de tratamento variando entre 30 semanas e 1 ano.
Materiais e Métodos
Foram selecionados estudos que utilizaram TRT (via intramuscular, incluindo undecanoato e enantato de testosterona) comparada a grupos controle/placebo. A análise estatística foi processada pelo software PQStat v1.8.6, aplicando um modelo de efeitos aleatórios para calcular a diferença média padronizada
Desfechos
Os desfechos primários focaram nos critérios diagnósticos da SM definidos pela International Diabetes Federation (IDF):
• Circunferência Abdominal (WC);
• Triglicerídeos (TG);
• Glicemia de Jejum (FG);
• Colesterol Total e HDL.
Critérios de inclusão e exclusão mais relevantes
• Inclusão: Homens com diagnóstico confirmado de Síndrome Metabólica e hipogonadismo; estudos publicados em inglês; disponibilidade de texto completo.
• Exclusão: Estudos focados exclusivamente em diabetes tipo 2 como único diagnóstico (sem os outros componentes da SM); presença de outras comorbidades graves que pudessem confundir os desfechos metabólicos.
Resultados
A meta-análise revelou um impacto estatisticamente significativo em dois marcadores centrais da síndrome:
1. Circunferência Abdominal: Houve uma redução significativa na obesidade central com a TRT, apresentando uma diferença média padronizada de −0.402 cm (p=0.011).
2. Triglicerídeos: Observou-se uma redução significativa nos níveis séricos de triglicerídeos, com diferença média padronizada de −0.243 mM (p=0.039).
3. Glicemia e Colesterol: Embora tenha havido uma tendência de redução na glicemia de jejum e colesterol total, e aumento no HDL, essas alterações não alcançaram significância estatística nesta análise específica (p>0.05).
Conclusão do Trabalho
Os autores concluem que a TRT promove melhorias objetivas na Síndrome Metabólica, especificamente através da redução da circunferência abdominal e dos triglicerídeos. O tratamento atua favoravelmente na recomposição corporal, validando o uso da testosterona como parte do arsenal terapêutico metabólico, e não apenas sexual.
Comentário Editorial
Para o urologista, esta revisão traz uma mensagem clínica ("take-home message") clara: a reposição de testosterona vai além da queixa de libido. A redução significativa da circunferência abdominal (p=0.011) confirma o mecanismo fisiológico onde a testosterona inibe a adipogênese e estimula a miogênese. Ao reduzir a gordura visceral ("barriga positiva") e os triglicerídeos, a TRT ataca o núcleo inflamatório da Síndrome Metabólica.
Embora a meta-análise seja limitada pelo baixo número de estudos (n=2) devido aos rigorosos critérios de exclusão (para purificar a amostra de diabéticos isolados), o sinal clínico é robusto e biologicamente plausível. Na prática, monitorar a cintura e o perfil lipídico do paciente em TRT é tão importante quanto monitorar o PSA e o hematócrito.
Referência
Mlynarz, N.; Miedziaszczyk, M.; Wieckowska, B.; Szalek, E.; Lacka, K. Effects of Testosterone Replacement Therapy on Metabolic Syndrome in Male Patients-Systematic Review. Int. J. Mol. Sci. 2024, 25, 12221. https://doi.org/10.3390/ijms252212221

