Carregando...
Noticias > Tabagismo intenso do homem reduz chance de nascido vivo após fertilização in vitro, aponta coorte com 1.388 casais

Tabagismo intenso do homem reduz chance de nascido vivo após fertilização in vitro, aponta coorte com 1.388 casais

Postado em Outubro 2026

teste

Um ensaio clínico randomizado publicado em 20 de outubro avaliou a combinação de cetirizina e tansulosina como terapia expulsiva medicamentosa para cálculos ureterais distais de 5 a 10 mm. Em um único centro, a associação elevou a taxa de eliminação do cálculo em quatro semanas, mas ocorreu com frequência relevante de ejaculação retrógrada, o que exige discussão individualizada com o paciente.

O estudo prospectivo incluiu 480 adultos com cálculo ureteral distal entre 5 e 10 mm. Os participantes foram distribuídos para tansulosina 0,4 mg, cetirizina 5 mg, a associação dos dois fármacos ou um grupo-controle com analgesia conforme a necessidade. O desfecho primário foi estar livre de cálculo após quatro semanas, com acompanhamento também do tempo até a eliminação e das necessidades de analgesia.

A taxa de expulsão foi de 85,8% no grupo que recebeu a combinação, 67,0% com tansulosina isolada, 55,0% com cetirizina isolada e 25,0% no controle (p=0,0001). O tempo médio até a eliminação também foi menor com a associação, de 13,15 dias, contra 14,95 dias com tansulosina, 17,57 dias com cetirizina e 20,94 dias no grupo-controle (p<0,0001). A combinação ainda se associou a menor necessidade de analgésicos, embora o resumo do estudo não apresente o valor absoluto dessa redução.

A tansulosina reduz o tônus da musculatura lisa ureteral por bloqueio alfa-1 adrenérgico e é o componente com uso mais estabelecido na terapia expulsiva. A hipótese de associar a cetirizina, anti-histamínico H1, busca acrescentar um efeito sobre a resposta inflamatória local e o edema do ureter. Esse racional e a magnitude do benefício, entretanto, precisam de confirmação em estudos independentes antes de qualquer mudança de rotina.

Ejaculação retrógrada ocorreu em 37,7% dos homens no grupo combinado e em 40,0% daqueles que receberam tansulosina isolada; o evento não foi registrado nos grupos de cetirizina ou controle. Esse achado não deve ser minimizado, sobretudo em homens jovens ou em pacientes para os quais a função ejaculatória tem relevância reprodutiva ou de qualidade de vida. O estudo não apresentou no resumo contagens detalhadas de todos os eventos adversos nem intervalos de confiança para os desfechos principais.

Os dados oferecem uma hipótese de interesse para pacientes selecionados com cálculo distal de 5 a 10 mm e manejo conservador possível, mas não criam uma nova recomendação de diretriz. Trata-se de um estudo de centro único, realizado no Egito, e o registro prospectivo foi feito após o encerramento da pesquisa. Até que existam replicação, avaliação regulatória e orientação de sociedades científicas, a combinação deve ser vista como estratégia em investigação, e não como padrão de terapia expulsiva.

Fonte: 

Yousef et al., Urologia Internationalis e 

ClinicalTrials.gov — NCT06754410

Tabagismo intenso do homem reduz chance de nascido vivo após fertilização in vitro, aponta coorte com 1.388 casais

Postado em Outubro 2026

O tabagismo intenso exclusivo do parceiro masculino foi associado a menor chance cumulativa de nascido vivo após fertilização in vitro, segundo coorte prospectiva publicada em 19 de outubro. O resultado reforça que a consulta andrológica prévia à reprodução assistida deve abordar de forma direta o consumo de cigarro pelo homem, e não apenas os fatores femininos do casal.

A pesquisa acompanhou 1.388 casais atendidos em um centro terciário na China após uma captação ovocitária, considerando transferências de embriões frescos e congelados por até três anos e nove meses. Foram comparados casais sem tabagismo, aqueles em que somente o homem fumava menos de 20 cigarros por dia e aqueles em que somente o homem fumava 20 ou mais cigarros por dia. A análise foi ajustada para idade e índice de massa corporal de ambos os parceiros, escolaridade, duração e causa da infertilidade, além do método de inseminação.

Nos casais em que o homem fumava 20 ou mais cigarros diariamente, a probabilidade de nascido vivo cumulativo foi 19% menor do que entre não fumantes (RR 0,81; IC95% 0,71–0,93). Não houve associação estatisticamente significativa com consumo inferior a 20 cigarros por dia (RR 0,92; IC95% 0,84–1,02). O efeito do tabagismo intenso já era observável antes da identificação de batimento cardíaco fetal, com RR de 0,78 (IC95% 0,68–0,89), e não houve evidência de efeito adicional após essa fase.

O desfecho cumulativo permite observar o percurso reprodutivo além de uma única transferência embrionária, aproximando a análise da expectativa real do casal. A associação pode refletir alterações relacionadas à qualidade espermática e à integridade do material genético, mas o estudo não demonstra um mecanismo único nem prova causalidade. Também não avaliou se a cessação do tabagismo antes da fertilização in vitro restaura a chance de nascido vivo ou qual intervalo de abstinência seria necessário.

A ausência de efeito estatisticamente significativo entre os fumantes de menor consumo não torna o cigarro seguro para a fertilidade masculina. A exposição foi autorreferida e o estudo foi observacional, realizado em um único centro, de modo que confundidores residuais e diferenças de perfil populacional podem influenciar o resultado. Os dados tampouco substituem a avaliação individual de fatores femininos, seminais, genéticos e de estilo de vida do casal.

Para o urologista e o andrologista, a mensagem prática é incluir o tabagismo no aconselhamento pré-concepcional e pré-reprodução assistida, com oferta estruturada de cessação, especialmente diante de consumo de 20 ou mais cigarros por dia. A força do achado está no desfecho de nascido vivo, mas a confirmação em outras populações e estudos que avaliem a cessação do tabagismo será necessária para estimar o efeito modificável de forma mais precisa.

 

Fonte: Fertilite and Sterility

Blog

Notícias Relacionadas