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DNA tumoral na urina antecipa recidiva após BCG no câncer de bexiga de alto risco

Postado em Setembro 2026

teste

Um teste de DNA tumoral urinário identificou recidiva do câncer de bexiga não músculo-invasivo de alto risco antes da detecção pela vigilância clínica convencional, com antecipação mediana de 4,1 meses. O estudo multicêntrico, publicado em 1º de setembro de 2026 no Journal of Urology, sugere que a persistência de doença molecular após BCG pode ajudar a reconhecer precocemente pacientes que necessitam de investigação ou intensificação terapêutica.

Os pesquisadores avaliaram amostras de urina coletadas antes e após BCG em pacientes com câncer de bexiga não músculo-invasivo de alto risco. O teste UroAmp classificou o DNA tumoral urinário como positivo ou negativo sem depender de sequenciamento prévio do tumor. A análise incluiu pacientes tratados com BCG em múltiplos centros, com comparação entre o resultado molecular e os desfechos de recidiva durante o acompanhamento.

Antes do primeiro ciclo de BCG, 23 de 57 pacientes apresentavam teste positivo. A sobrevida livre de recidiva em 12 meses foi de 61% entre os pacientes com DNA tumoral urinário positivo e de 85% entre os negativos, com razão de risco de 3,2 (p=0,04).

Após o BCG, oito de 43 pacientes sem evidência clínica de doença tinham teste urinário positivo. Nessa situação, a sobrevida livre de recidiva em 12 meses foi de apenas 25%, comparada a 91% entre aqueles com teste negativo, com razão de risco de 10,0 (p<0,001). Entre as recidivas futuras, o teste identificou 33% quando a cistoscopia ainda não demonstrava doença, proporcionando vantagem temporal para a avaliação diagnóstica.

Em pacientes com cistoscopia negativa, o teste apresentou sensibilidade de 67% e especificidade de 94% para recidiva em seis meses. A citologia urinária não identificou as recidivas precoces nessa amostra. O estudo, contudo, foi retrospectivo, reuniu número limitado de pacientes e apresentou variação nos esquemas de manutenção com BCG, fatores que impedem sua adoção isolada como novo padrão de vigilância.

Os resultados abrem caminho para uma vigilância mais individualizada após BCG, na qual um teste molecular positivo pode motivar investigação mais precoce, biópsias dirigidas ou discussão de alternativas terapêuticas. Por enquanto, o DNA tumoral urinário deve ser entendido como ferramenta complementar e promissora, não como substituto da cistoscopia, da citologia e da estratificação clínica de risco.

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