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Teste urinário supera ressonância para prever reclassificação na vigilância ativa do câncer de próstata

Postado em Setembro 2026

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Um teste urinário não invasivo superou a ressonância magnética multiparamétrica na identificação de homens em vigilância ativa com maior risco de reclassificação histológica do câncer de próstata. Os resultados, publicados em 1º de setembro de 2026 no Journal of Urology, indicam que a ferramenta pode reduzir de forma relevante a necessidade de biópsias programadas, sem comprometer a detecção dos tumores de maior grau.

O estudo derivou e validou externamente o MyProstateScore 2.0–Active Surveillance, ou MPS2-AS, em 330 homens com câncer de próstata Grupo de Grau 1 programados para biópsia de vigilância em 11 serviços. A urina foi coletada prospectivamente, e os participantes realizaram biópsia sistemática com pelo menos 12 fragmentos, associada a biópsia dirigida nas lesões classificadas como PI-RADS 3 ou superiores.

Na biópsia, 31 pacientes, ou 9,4%, apresentaram reclassificação para Grupo de Grau 3 ou maior; 123 pacientes, ou 37%, apresentaram Grupo de Grau 2 ou maior. Para predizer reclassificação para Grupo de Grau 3 ou superior, a área sob a curva foi de 0,82 com o MPS2-AS e de 0,73 com a ressonância. Para Grupo de Grau 2 ou superior, os valores foram de 0,74 e 0,64, respectivamente.

A modelagem clínica indicou que o uso do teste urinário antes da biópsia poderia evitar 64% das biópsias consideradas desnecessárias, deixando de detectar 3,2% das reclassificações para Grupo de Grau 3 ou maior e 4,9% das reclassificações para Grupo de Grau 2 ou maior. Em comparação, a utilização isolada de ressonância com PI-RADS 3 ou superior evitaria 50% das biópsias, mas deixaria de identificar 18% das reclassificações para Grupo de Grau 3 ou maior.

O MPS2-AS é realizado com amostra urinária coletada sem toque retal e foi desenvolvido para complementar a decisão sobre a necessidade de biópsia durante a vigilância ativa. Os resultados foram consistentes em subgrupos clinicamente relevantes, incluindo biópsia confirmatória, biópsia de seguimento e pacientes negros e não negros. Entretanto, os valores do teste foram calculados retrospectivamente e não orientaram a decisão de biópsia no estudo.

Os achados são particularmente relevantes para reduzir a carga de biópsias seriadas em homens com doença de baixo risco, mas ainda não justificam abandonar a ressonância magnética, o PSA ou as biópsias de vigilância de forma indiscriminada. Caso estudos prospectivos confirmem que a estratégia mantém a segurança oncológica, o teste urinário poderá se tornar uma ferramenta útil para individualizar a intensidade do acompanhamento e selecionar melhor quem realmente precisa de nova biópsia.

Fonte: Journal of Urology

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