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Metade das terapias focais para câncer de próstata ocorre fora dos grupos apoiados pelas diretrizes

Postado em Agosto 2026

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Uma análise nacional dos Estados Unidos identificou que 51% dos procedimentos de terapia focal para câncer de próstata não metastático foram realizados em homens com doença de baixo, alto ou muito alto risco, grupos fora dos cenários mais compatíveis com a utilização investigacional prevista nas recomendações contemporâneas. O estudo, publicado no JAMA em agosto de 2026, reforça a necessidade de seleção criteriosa e aconselhamento explícito sobre as incertezas oncológicas dessa estratégia.

Os pesquisadores analisaram a National Cancer Database e incluíram 1.179.384 homens com 50 anos ou mais, diagnosticados entre 2010 e 2023 em centros acreditados pela Commission on Cancer. A terapia focal foi utilizada em 15.672 pacientes, correspondendo a 1,3% da população total. Entre os homens tratados, 7.985 apresentavam doença de baixo, alto ou muito alto risco, enquanto 7.687 tinham doença de risco intermediário.

A adoção aumentou entre pacientes com risco intermediário favorável, de 2,1% em 2010 para 2,9% em 2023. No mesmo período, o uso caiu no risco intermediário desfavorável, de 2,5% para 1,9%; no alto risco, de 2,1% para 0,9%; e no risco muito alto, de 1,8% para 0,5%. A redução nos grupos de maior risco sugere maior alinhamento ao longo do tempo, mas a proporção global fora dos grupos mais apropriados permaneceu relevante.

O perfil tecnológico também mudou. A crioablação representava 79,8% dos procedimentos em 2010 e caiu para 19,1% em 2023. A ablação a laser aumentou de 14,6% para 45,8%, enquanto outras modalidades de destruição tumoral, incluindo ultrassom focalizado de alta intensidade, passaram de 5,6% para 35,1%.

A análise não fornece informações sobre controle oncológico em longo prazo, toxicidade, qualidade de vida, necessidade de retratamento ou custos. Também não permite identificar multifocalidade tumoral, preferências individuais ou participação em protocolos de pesquisa. Portanto, os resultados descrevem padrões de utilização e não comparam a eficácia da terapia focal com prostatectomia, radioterapia ou vigilância ativa.

As diretrizes AUA/ASTRO orientam que pacientes com doença de baixo ou intermediário risco sejam informados de que a ablação focal ou de toda a glândula permanece investigacional e carece de comparações robustas com os tratamentos-padrão. Para doença de alto risco, a recomendação é não oferecer ablação fora de ensaio clínico. O estudo reforça que a disponibilidade crescente de novas tecnologias deve ser acompanhada por estadiamento adequado, discussão multidisciplinar e registro prospectivo dos resultados.

Fonte: JAMA

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