Encaminhamento cardiovascular melhora controle de colesterol, mas não reduz eventos em homens com câncer de próstata
Postado em Setembro 2026teste
O encaminhamento sistemático a cardiologista ou clínico melhorou o controle do colesterol em homens com câncer de próstata, mas não reduziu a incidência de morte cardiovascular, infarto do miocárdio, acidente vascular cerebral ou insuficiência cardíaca. Os resultados do ensaio RADICAL PC-2, publicados em 30 de agosto de 2026 no JAMA Internal Medicine, reforçam a importância de incorporar a avaliação cardiometabólica ao cuidado de pacientes em terapia de privação androgênica.
O estudo clínico randomizado incluiu 2.487 homens de 55 centros em oito países. Eram elegíveis pacientes diagnosticados com câncer de próstata nos 12 meses anteriores, em uso de terapia de privação androgênica havia até seis meses ou com início programado em até um mês. Os participantes foram distribuídos entre cuidado habitual ou cuidado habitual associado a encaminhamento para cardiologia ou clínica médica.
A intervenção incluiu orientação para estilo de vida, cessação do tabagismo, meta de pressão arterial sistólica de até 130 mmHg e uso de estatina independentemente do colesterol basal. Após seguimento mediano de 5,8 anos, o desfecho hierárquico composto favoreceu o grupo encaminhado, com razão de vitórias de 1,60 (IC95% 1,42–1,81).
O benefício foi impulsionado principalmente pela redução média de 12 mg/dL no colesterol total (IC95% 9–15) e pela maior utilização de estatinas, registrada em 63% dos pacientes do grupo de intervenção e em 40% daqueles submetidos ao cuidado habitual (p<0,001). A pressão arterial sistólica no encerramento do estudo foi de 131,1 mmHg no grupo encaminhado e de 132,9 mmHg no grupo controle.
Não houve diferença significativa no tempo até morte cardiovascular, infarto, acidente vascular cerebral ou insuficiência cardíaca. A razão de risco de subdistribuição para esse desfecho composto foi de 1,08 (IC95% 0,79–1,49). Análises pré-especificadas sugeriram que homens com colesterol elevado ou pressão arterial não controlada no início do estudo podem concentrar maior benefício do encaminhamento especializado.
O estudo não sustenta o encaminhamento automático de todos os homens com câncer de próstata, mas oferece um argumento robusto para a triagem estruturada de pressão arterial, lipídios, diabetes, tabagismo e risco cardiovascular antes e durante a terapia de privação androgênica. Identificar pacientes com fatores de risco modificáveis mal controlados pode permitir uma intervenção mais direcionada, especialmente quando se planeja tratamento hormonal prolongado.
Fonte: JAMA Internal Medicine
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