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Impacto econômico da recorrência de doença após cistectomia em pacientes com câncer de bexiga músculo-invasivo: análise populacional com dados do SEER–Medicare

Autores do Artigo: 

Squires R et al.

Journal

Journal of Managed Care & Specialty Pharmacy

Data da publicação

Setembro 2025

Apoio educacional:

  

Introdução

Em setembro/2025 foi publicado online na revista Journal of Managed Care & Specialty Pharmacy este estudo que avaliou o impacto da recorrência, em termos de utilização de recursos em saúde e custos, após cistectomia radical em pacientes com câncer de bexiga músculo-invasivo nos Estados Unidos. A hipótese era que a recorrência, após cirurgia com intenção curativa, se associaria a aumento de internações, visitas e custos, em comparação a pacientes sem recorrência. O estudo mostrou maior uso de recursos e maiores custos mensais no grupo com recorrência, principalmente por custos de internação. Confira abaixo mais detalhes do estudo:

Objetivo

Avaliar a utilização de recursos em saúde e custos em pacientes com câncer de bexiga músculo-invasivo tratados com cistectomia radical no SEER–Medicare, com comparação entre pacientes com e sem recorrência.

Desenho do estudo

Estudo retrospectivo, observacional, baseado em análise populacional (SEER–Medicare).

Número de pacientes

1.149 pacientes na coorte após aplicação dos critérios de seleção; para a análise estratificada por recorrência, 1.105 pacientes (503 com recorrência; 602 sem recorrência). 

Período de inclusão

Diagnósticos entre janeiro/2007 e dezembro/2019, com dados de sinistros disponíveis até 2020 (SEER–Medicare 2007–2020). 

Materiais e Métodos

Trata-se de estudo retrospectivo e observacional com a base SEER–Medicare (2007–2020), incluindo pacientes com 65 anos ou mais, com câncer urotelial de bexiga músculo-invasivo (T2–T4aN0M0 ou T1–T4aN1M0) submetidos à cistectomia radical, com ou sem linfadenectomia pélvica, em até 12 meses do diagnóstico, e com cobertura contínua das Partes A, B e D. Para a análise descritiva da utilização de recursos e custos após a cirurgia, a data índice foi a data da cistectomia radical. Para estimar o impacto da recorrência, a data índice foi definida como 30 dias antes da recorrência no grupo com recorrência e, no grupo sem recorrência, atribuída por amostragem para espelhar o intervalo entre a cirurgia e a data índice observado no grupo com recorrência. A recorrência foi identificada por algoritmo baseado em diagnósticos e tratamentos, distinguindo recorrência locorregional e doença metastática à distância. Os pacientes foram acompanhados desde a data índice até o fim da base, perda de cobertura contínua ou óbito, estimando-se utilização de recursos por paciente por ano e custos médios por paciente por mês (em dólares).

Desfechos

Utilização de recursos em saúde por causa geral e atribuída ao câncer de bexiga (internações, visitas a emergência, visitas ambulatoriais, permanência em instituição de enfermagem especializada e dias de internação) e custos por causa geral e atribuídos ao câncer de bexiga (custos médicos e custos de farmácia do Medicare Parte D), todos comparados entre grupos com e sem recorrência, com estimativas ajustadas.

Critérios de inclusão e exclusão mais relevantes

Foram incluídos pacientes com carcinoma urotelial de bexiga músculo-invasivo (T2–T4aN0M0 ou T1–T4aN1M0), idade ≥65 anos, submetidos à cistectomia radical com ou sem linfadenectomia pélvica em até 12 meses do diagnóstico, com cobertura contínua das Partes A, B e D do Medicare por pelo menos 12 meses antes e 1 mês após a cirurgia. Foram excluídos pacientes com cistectomia parcial ou radioterapia antes da cistectomia radical (após o diagnóstico de músculo-invasivo), neoplasia secundária antes ou até 60 dias após a cirurgia, e outras neoplasias (não músculo-invasivo de bexiga) nos 3 anos anteriores ao diagnóstico inicial. 

Resultados

Entre os 1.149 pacientes incluídos, a mediana de seguimento após a cistectomia radical foi de 2,6 anos. Na análise por recorrência (1.105 pacientes), 503 (45,5%) foram classificados como recorrência e 602 (54,5%) como sem recorrência; no grupo com recorrência, 91,1% tiveram apenas doença metastática à distância, 5,8% apenas recorrência locorregional e 3,2% recorrência locorregional seguida de doença metastática à distância. Em termos basais no “tempo zero” da análise por recorrência, a idade média foi 75,0 anos (desvio-padrão 5,8) no grupo com recorrência e 75,8 anos (5,7) no grupo sem recorrência (P=0,021); 75,9% e 73,3% eram homens, respectivamente (P=0,307), e 86,3% e 85,9% eram brancos (P=0,848). O estágio IIIA foi mais frequente no grupo com recorrência (47,9% vs 32,7%; P<0,001). Também foi mais comum, entre os pacientes com recorrência, a presença de características clínicas registradas na base que sugeriam menor elegibilidade para cisplatina (54,1% vs 47,5%; P=0,030), especialmente insuficiência renal (26,0% vs 18,9%; P=0,005).

Pacientes com recorrência tiveram maior utilização de recursos em saúde por causa geral do que aqueles sem recorrência, com 3,8 vs 1,5 internações por paciente por ano (razão de incidência ajustada 2,4; IC95% 2,2–2,6), 1,9 vs 0,7 visitas a emergência por paciente por ano (razão de incidência ajustada 2,7; IC95% 2,4–3,0) e 39,4 vs 19,9 visitas ambulatoriais por paciente por ano (razão de incidência ajustada 2,0; IC95% 2,0–2,1), todas com P<0,001; também houve mais dias hospitalizados por paciente por ano (30,3 vs 14,1; diferença média ajustada 18,9; P<0,001). 

O custo médico total por causa geral foi $11,250 por paciente por mês na população após cistectomia radical e foi maior no grupo com recorrência do que no grupo sem recorrência ($10,030 vs $3,343), com diferença ajustada de $7,191 (P<0,001), principalmente por custos de internação ($6,654 vs $2,102; diferença ajustada $4,542; P<0,001). 

Conclusão do Trabalho

Em pacientes com câncer de bexiga músculo-invasivo submetidos à cistectomia radical no SEER–Medicare, a recorrência se associou a maior utilização de recursos em saúde e a custos mensais substancialmente mais altos, principalmente por internações.

Comentário Editorial

Este estudo é útil porque coloca evidencia algo que costuma ficar implícito na prática: quando a doença recorre após a cistectomia radical, o cuidado deixa de ser apenas ambulatorial e passa a envolver muito mais eventos agudos, com internações e idas à emergência, acarretando  aumento de custos em saúde. Isso ajuda a discutir “valor” de estratégias ao longo do trajeto do paciente, não apenas em termos de desfechos oncológicos, mas também do que acontece com o sistema de saúde quando a recorrência se concretiza. Nesse contexto, é importante ressaltar que existem estratégias sistêmicas perioperatórias que podem reduzir o risco de recorrência - quimioterapia neoadjuvante baseada em cisplatina quando elegível, imunoterapia adjuvante com nivolumabe após ressecção em alto risco, e evidência positiva recente para pembrolizumabe em adjuvância no estudo AMBASSADOR; além da aprovação pelo do uso de pembrolizumabe com enfortumabe vedotina perioperatórios em pacientes inelegíveis à cisplatina). As limitações do trabalho são as esperadas de estudos envolvendo a análise de sinistros de seguros: principalmente devido a recorrência ser inferida por algoritmos e não ser um evento determinado diretamente, o que pode gerar erro de classificação.

Referência

Squires P, Cook EE, Song Y, et al. Real-world economic burden of disease recurrence in patients with muscle-invasive bladder cancer: A population-level claims-based analysis. J Manag Care Spec Pharm. Published online Sep 17, 2025. doi:10.18553/jmcp.2025.25106. 

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