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Terapia gênica associada à radioterapia reduz em 41% o risco de recidiva no câncer de próstata de risco intermediário

Postado em Outubro 2026

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A terapia gênica intraprostática aglatimagene besadenovec, associada à radioterapia externa e ao valaciclovir, apresentou nova atualização de resultados em homens com câncer de próstata localizado de risco intermediário. Os dados, apresentados no congresso anual da ASTRO 2026, reforçam o potencial da estratégia de intensificar o tratamento local sem ampliar de forma relevante a toxicidade clinicamente significativa.

O estudo PrTK03 foi um ensaio de fase 3, multicêntrico, randomizado, duplo-cego e controlado por placebo, conduzido em 51 centros dos Estados Unidos e Porto Rico. Foram incluídos 745 pacientes com doença localizada de risco intermediário ou alto, randomizados na proporção 2:1 para três aplicações intraprostáticas de aglatimagene besadenovec mais valaciclovir e radioterapia externa, ou placebo mais valaciclovir e radioterapia.

Na publicação primária, com seguimento mediano de 50,3 meses, a combinação reduziu o risco de recorrência ou morte por câncer de próstata em 30% em relação ao controle, com razão de risco de 0,70 (IC 95% 0,52–0,94; p=0,016). Na atualização apresentada em setembro, restrita aos 635 homens com risco intermediário e com seguimento mediano de 58 meses, a redução do risco atingiu 41%, com razão de risco de 0,59 (IC 95% 0,41–0,84; p=0,0034).

Aglatimagene besadenovec é um adenovírus não replicante que entrega o gene da timidina-quinase do herpes simples diretamente no tumor. Após a administração de valaciclovir, o mecanismo busca induzir morte celular imunogênica e estimular resposta imune antitumoral. Em biópsias centrais realizadas entre 22 e 26 meses, 76,6% dos pacientes no braço experimental apresentaram ausência de tumor, ante 60,7% no braço controle.

Os eventos adversos de grau 3 ou maior foram semelhantes entre os grupos, ocorrendo em 8% dos pacientes tratados com aglatimagene e em 7% dos controles. Calafrios, sintomas gripais e febre foram mais frequentes com a terapia gênica, em geral autolimitados. Não foram relatadas mortes relacionadas ao tratamento no estudo.

Os resultados posicionam a estratégia como uma das novidades mais relevantes para a radioterapia do câncer de próstata localizado, mas o tratamento ainda é investigacional e não possui aprovação regulatória. Para o urologista, a mensagem prática é acompanhar uma possível nova alternativa de intensificação para doença de risco intermediário, sempre no contexto multidisciplinar e sem extrapolar os resultados para uso fora de protocolos até decisão regulatória.

 

Fonte: DeWeese TL et al. Aglatimagene besadenovec com radioterapia no câncer de próstata localizado — The Lancet Oncology

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