
Artefatos na Urodinâmica: Uma revisão narrativa
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Introdução
A urodinâmica é uma ferramenta diagnóstica essencial na uroneurologia, fornecendo informações objetivas sobre a função do trato urinário inferior. No entanto, a precisão e a confiabilidade desses estudos podem ser significativamente comprometidas pela presença de artefatos. Este artigo de revisão aborda a complexidade e a prevalência desses artefatos, que podem levar a interpretações errôneas e, consequentemente, a decisões clínicas inadequadas. O reconhecimento e a gestão eficaz dos artefatos são cruciais para garantir a validade dos resultados urodinâmicos e otimizar o cuidado ao paciente.
Objetivo
O objetivo deste artigo de revisão é classificar os diversos tipos de artefatos que podem ocorrer durante os estudos urodinâmicos, discutir seu impacto clínico e apresentar estratégias para sua identificação e mitigação, visando melhorar a acurácia diagnóstica e a validade da pesquisa.
Desenho do estudo
Artigo de revisão da literatura.
Materiais e Métodos
Este artigo de revisão foi elaborado a partir de uma análise abrangente da literatura científica existente sobre artefatos em estudos urodinâmicos. A metodologia envolveu a identificação, classificação e discussão detalhada dos artefatos em três categorias principais: técnicos, relacionados ao paciente e ambientais. Foram revisadas as recomendações da International Continence Society (ICS) para boas práticas urodinâmicas e exploradas as consequências clínicas dos artefatos, bem como as abordagens para sua prevenção e correção.
Desfechos
Os principais desfechos abordados incluem a classificação detalhada dos artefatos urodinâmicos, a compreensão de sua prevalência e impacto clínico, e a proposição de estratégias para sua identificação e minimização.
Resultados
- Artefatos técnicos: Incluem erros de calibração dos equipamentos, deslocamento dos cateteres de pressão (intravesical ou abdominal), erros na bomba de infusão, e falhas ou interferências nos eletrodos de eletromiografia (EMG). Estes podem levar a leituras de pressão imprecisas ou registros de atividade muscular falsos.
- Artefatos relacionados ao paciente: Abrangem movimentos involuntários ou voluntários do paciente, contrações pós-detrusoras (contrações da bexiga após o esvaziamento), contrações retais que afetam a pressão abdominal, relaxamento inadequado do assoalho pélvico e inibição miccional psicogênica.
- Artefatos ambientais: Podem ser causados por ruídos externos que interferem nos equipamentos, variações de temperatura ambiente que afetam a calibração, e a falta de privacidade ou ambiente inadequado que gera ansiedade no paciente.
Conclusão do Trabalho
A presença de artefatos é uma realidade constante nos estudos urodinâmicos, exigindo vigilância contínua e conhecimento aprofundado por parte dos profissionais. A identificação e a gestão eficaz dos artefatos são cruciais para garantir a acurácia diagnóstica e a eficácia do tratamento. A padronização dos protocolos e a educação continuada são essenciais para otimizar a qualidade dos estudos urodinâmicos.
Comentário Editorial
Este artigo de revisão oferece uma contribuição valiosa ao campo da uroneurologia, ao sistematizar e detalhar os diversos artefatos que podem comprometer a qualidade dos estudos urodinâmicos. A ênfase na classificação e nas consequências clínicas dos artefatos ressalta a necessidade de uma abordagem rigorosa na realização e interpretação desses exames. Na prática clínica, a conscientização sobre esses artefatos deve levar a um treinamento mais aprofundado dos técnicos e médicos, bem como à implementação de checklists e protocolos padronizados para a realização dos exames, conforme as diretrizes da ICS. A capacidade de reconhecer um artefato em tempo real e corrigi-lo pode evitar diagnósticos errôneos e tratamentos ineficazes ou até prejudiciais.
As perspectivas futuras para a urodinâmica incluem o desenvolvimento de tecnologias mais robustas e menos suscetíveis a artefatos, como sistemas de medição sem cateter e dispositivos vestíveis que podem monitorar a função vesical em ambientes mais naturais. A inteligência artificial e o aprendizado de máquina podem desempenhar um papel crescente na detecção automática de artefatos e na validação dos dados urodinâmicos. A padronização global dos protocolos de urodinâmica e a criação de bancos de dados de artefatos podem aprimorar ainda mais a qualidade e a comparabilidade dos estudos.
Referência
Pourghazi, F., Linder, B.J., Alizad, A. and Fatemi, M. (2025), Artifacts in Urodynamic Studies: A Narrative Review. Neurourology and Urodynamics, 44: 1583-1592. https://doi.org/10.1002/nau.70128

