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Características Clínicas, Sucesso Terapêutico e Adesão ao Tratamento em Mulheres com Síndrome da Bexiga Hiperativa e Incontinência Urinária Mista: Um Estudo de Coorte Retrospectivo de 15 Anos

Autores do Artigo: 

Koch M, Sayahpour H, Carlin GL, Dorittke T, Loimer R, Dibon A, Umek W, Heinzl F, Bodner-Adler B.

Journal

Maturitas

Data da publicação

Novembro 2025

Autor do Resumo

Editor de Seção

  

Introdução

A síndrome da bexiga hiperativa (BHA) é uma condição altamente prevalente em mulheres, com incidência crescente com a idade, caracterizada por urgência urinária, com ou sem incontinência urinária de urgência (IUU), frequentemente acompanhada de frequência miccional aumentada e noctúria. A incontinência urinária mista (IUM) refere-se à coexistência de sintomas de incontinência de urgência e de esforço. Ambas as condições impactam significativamente a qualidade de vida relacionada à saúde, bem-estar emocional, qualidade do sono e funcionamento social, com um impacto econômico substancial. As opções de tratamento variam desde terapias comportamentais (treinamento vesical, treinamento dos músculos do assoalho pélvico) até agentes farmacológicos (antimuscarínicos, agonistas beta-3, estrogênio local), neuromodulação e injeções de toxina botulínica. Compreender os fatores que predizem o sucesso terapêutico é fundamental para otimizar os resultados clínicos.

Objetivo

O objetivo deste estudo foi investigar as características clínicas, o sucesso terapêutico e a adesão ao tratamento em mulheres diagnosticadas com síndrome da bexiga hiperativa ou incontinência urinária mista, identificando fatores preditivos de sucesso terapêutico.

Desenho do estudo

Estudo de coorte retrospectivo que analisou dados de pacientes atendidas durante um período de 15 anos.

Número de pacientes

Um total de 1.688 pacientes do sexo feminino foi incluído na análise.

Período de inclusão

Os dados foram coletados entre 2007 e 2022 na Medical University of Vienna.

Materiais e Métodos

O estudo analisou retrospectivamente dados de 1.688 mulheres diagnosticadas com BHA ou IUM. Os dados coletados incluíram características demográficas, características clínicas, modalidades de tratamento e desfechos, obtidos de prontuários médicos, diários vesicais de três dias, questionários ICIQ e cistometria.
As modalidades de tratamento avaliadas incluíram terapias comportamentais (treinamento vesical, treinamento dos músculos do assoalho pélvico), agentes farmacológicos (antimuscarínicos, agonistas beta-3, estrogênio local) e procedimentos avançados (neuromodulação, injeções de toxina botulínica). A polifarmácia foi definida como o uso concomitante de mais de cinco medicamentos diferentes.
As análises estatísticas incluíram estatísticas descritivas, análise de sobrevida de Kaplan-Meier, modelo de riscos proporcionais de Cox, teste de soma de postos de Wilcoxon, teste de Barnard, teste do qui-quadrado e regressão logística ordinal. O estudo recebeu aprovação do Comitê de Ética da Medical University of Vienna.

 

Desfechos

Os desfechos primários foram o sucesso terapêutico (sem sucesso, sucesso parcial, sucesso completo) e o tempo até o sucesso. Os desfechos secundários incluíram a identificação de fatores preditivos de sucesso terapêutico e adesão ao tratamento a longo prazo.

Critérios de inclusão e exclusão mais relevantes

Inclusão: Mulheres diagnosticadas com síndrome da bexiga hiperativa ou incontinência urinária mista.
Exclusão: Não se aplica explicitamente, mas o estudo excluiu infecção do trato urinário ou outras patologias detectáveis como causa dos sintomas.

 

Resultados

O estudo revelou diferenças significativas entre pacientes com BHA e IUM:
Características Demográficas: Pacientes com IUM eram mais jovens, apresentavam índice de massa corporal (IMC) mais elevado, mais comorbidades e sintomas mais graves em comparação com pacientes com BHA. Pacientes com BHA eram mais frequentemente pós-menopáusicas e apresentavam melhor sucesso terapêutico precoce.
Preditores de Sucesso Terapêutico: Polifarmácia, obesidade, noctúria e diagnóstico de IUM foram associados a taxas de sucesso terapêutico mais baixas. Estrogênio local, subtipo específico de bexiga hiperativa e menor número de medicamentos foram preditores de melhores resultados e resposta mais precoce.
Modalidades de Tratamento: Treinamento do assoalho pélvico foi mais comum em pacientes com IUM, enquanto antimuscarínicos e estrogênio local foram mais comuns em pacientes com BHA.
Frequência Miccional: Idade mais jovem foi preditor significativo de frequência miccional mais elevada. A frequência noturna aumentou com a idade e com o IMC, correlacionando-se também com polifarmácia e paridade.
Evolução Temporal: As curvas de Kaplan-Meier indicaram melhora precoce para a maioria dos pacientes, mas alguns necessitaram de acompanhamento a longo prazo. Uma proporção significativa de pacientes foi perdida no seguimento precocemente após a apresentação inicial.

 

Conclusão do Trabalho

O estudo demonstra a importância de estratégias de tratamento personalizadas para mulheres com BHA e IUM, considerando as características individuais do paciente e o histórico de tratamento para melhorar os resultados. A adesão a longo prazo à terapia é crucial, necessitando refinamento das intervenções terapêuticas. A identificação da polifarmácia como preditor significativo de falha terapêutica destaca a necessidade de revisão de medicamentos nesses pacientes.

Comentário Editorial

Este estudo de coorte retrospectivo de 15 anos oferece uma perspectiva valiosa sobre a heterogeneidade clínica da síndrome da bexiga hiperativa e da incontinência urinária mista em mulheres, identificando fatores que influenciam significativamente os resultados terapêuticos. A análise longitudinal fornece insights importantes para a prática clínica.
 
Os achados deste estudo têm implicações práticas diretas para a abordagem clínica de mulheres com BHA e IUM. A identificação de que pacientes com polifarmácia apresentam taxas de sucesso terapêutico significativamente menores destaca a importância de uma revisão cuidadosa da medicação antes de iniciar novos tratamentos para BHA. Para pacientes obesas, a implementação de estratégias de perda de peso concomitantes ao tratamento farmacológico pode otimizar os resultados. A noctúria, identificada como preditor de pior resposta, pode exigir investigação adicional e abordagens terapêuticas específicas. A observação de que o estrogênio local e certos subtipos de BHA predizem melhor resposta permite uma seleção mais direcionada de terapia inicial. Além disso, a alta taxa de perda de seguimento precoce sugere a necessidade de estratégias melhoradas de adesão e engajamento do paciente.
 
Os achados abrem caminho para diversas direções de pesquisa:
1. Estudos Prospectivos: Embora este seja um estudo retrospectivo valioso, estudos prospectivos que avaliem especificamente a adesão real ao tratamento e os fatores que a influenciam seriam fundamentais para validar e expandir esses achados.
2. Personalização do Tratamento: A heterogeneidade observada entre BHA e IUM sugere que algoritmos de tratamento personalizados, baseados em características demográficas e clínicas específicas, poderiam otimizar os resultados. Estudos que testem essas abordagens personalizadas são necessários.
3. Investigação da Polifarmácia: A relação entre polifarmácia e falha terapêutica merece investigação mais profunda. Compreender se certos medicamentos interferem especificamente com o tratamento da BHA, ou se a polifarmácia é simplesmente um marcador de complexidade clínica, é importante.
4. Fatores de Adesão: A identificação de estratégias para melhorar a adesão a longo prazo, particularmente em populações com maior risco de abandono do tratamento, é uma prioridade para futuras pesquisas.
Este estudo fornece uma base sólida para a compreensão dos fatores que influenciam o sucesso terapêutico em mulheres com BHA e IUM, incentivando uma abordagem mais personalizada e atenta à complexidade clínica dessas pacientes.

Referência

Koch M, Sayahpour H, Carlin GL, Dorittke T, Loimer R, Dibon A, Umek W, Heinzl F, Bodner-Adler B. Characteristics of female overactive bladder syndrome: Results from a large retrospective cohort spanning 15 years. Maturitas. 2025 Nov;202:108736. doi: 10.1016/j.maturitas.2025.108736. Epub 2025 Sep 18. PMID: 41027229.

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