Esta revisão sistemática fornece evidências robustas sobre a viabilidade da cirurgia de alta no mesmo dia para EEP, representando um avanço do tratamento da HPB.
Os resultados são encorajadores, com taxa de sucesso média de 78,2% e baixa taxa de readmissão (8,8%), ou seja, a abordagem ambulatorial é segura quando aplicada criteriosamente. A predominância de complicações leves (Clavien-Dindo I-II) e a ausência de diferença significativa nas complicações graves entre grupos de alta no mesmo dia e internação convencional reforçam a segurança do procedimento. Outro fator relevante a destacar é a hematúria como a principal causa de readmissão (27,22%). Deste modo, considerações como maior tempo de cirurgico para a fase de hemostasia devem ser ponderadas, objetivando-se minimizar sangramentos tardios e reduzir a necessidade de readmissões hospitalares, especialmente nos casos de alta no mesmo dia.
Os fatores preditivos identificados - cirurgia matutina, peso da enucleação ≤ 40g e volume prostático < 90ml - fornecem parâmetros práticos valiosos para seleção de pacientes. O procedimento realizado pela manhã permite maior tempo de observação, enquanto próstatas menores apresentam menor complexidade técnica e risco de sangramento.
No contexto brasileiro, a implementação desta abordagem enfrenta desafios como disponibilidade limitada de equipamentos laser, necessidade de treinamento especializado e considerações socioeconômicas (distância do hospital, disponibilidade de acompanhante). No entanto, considerando-se o custo-benefício, os esforços para implementação dessas novas técnicas são irrisórios visto que os benefícios são a melhoria da experiência do paciente além de otimização de leitos hospitalares e redução de custos.
As limitações do estudo incluem heterogeneidade dos protocolos, predominância de estudos retrospectivos e qualidade variável dos trabalhos incluídos. Estudos prospectivos randomizados com critérios padronizados são necessários para fortalecer as evidências.
A cirurgia de alta no mesmo dia para EEP a laser é uma abordagem viável e segura em centros com experiência adequada, sendo possível considerar fontes de energia alternativas, como a bipolar. A implementação deve ser gradual, com o desenvolvimento de protocolos institucionais robustos e a seleção criteriosa de pacientes baseada nos fatores preditivos identificados.