
Manejo de Infecções Recorrentes do Trato Urinário Não Complicadas
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Introdução
As infecções do trato urinário (ITU) são extremamente prevalentes no contexto ambulatorial. Cerca de 50% das mulheres terão ao menos um episódio ao longo da vida, e aproximadamente 30% apresentarão recorrência. As infecções urinárias recorrentes (ITUr) não complicadas afetam especialmente mulheres jovens e saudáveis, gerando desconforto persistente, uso repetido de antibióticos e impacto relevante na qualidade de vida.
Objetivo
Revisar fatores de risco, estratégias diagnósticas e opções terapêuticas e profiláticas — com destaque para intervenções não antibióticas — no manejo das ITUr.
Desenho do estudo
Revisão narrativa
Materiais e Métodos
Revisão narrativa abrangendo estudos sobre:
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epidemiologia das ITUr,
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fisiopatologia,
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diagnóstico,
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abordagem do episódio agudo,
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profilaxias antibióticas e não antibióticas,
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terapias emergentes (TMF, bacteriófagos).
Desfechos
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Melhores práticas diagnósticas
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Manejo do episódio agudo
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Profilaxias não antibióticas
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Indicações de profilaxia antibiótica
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Terapias inovadoras e experimentais
Critérios de inclusão e exclusão mais relevantes
Inclusão:
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Estudos envolvendo mulheres com ITUs recorrentes não complicadas
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Definição: ≥ 2 episódios em 6 meses ou ≥ 3 em 12 meses
Exclusão:
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ITUs complicadas
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Populações especiais (cateterizadas, gestantes, imunossuprimidas)
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Estudos exclusivamente hospitalares
Resultados
A maior suscetibilidade feminina às ITUr decorre de fatores anatômicos, comportamentais, genéticos e de microbioma.
O tratamento do episódio agudo segue diretrizes internacionais, priorizando nitrofurantoína, fosfomicina e pivmecilinam (nota do editor ao final).
A profilaxia deve ser escalonada:
1. Estratégias não antibióticas (primeira linha)
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Aumento da ingestão hídrica
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Micção pós-coito e ajustes comportamentais
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Cranberry / proantocianidinas (PACs) (nota do editor ao final).
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D-manose
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Metenamina como antisséptico urinário
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Imunoprofilaxia (OM-89)
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Estrogênio vaginal na pós-menopausa
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Instilação intravesical de GAGs em casos selecionados
2. Profilaxia antibiótica
Indicada quando medidas não antibióticas falham.
3. Terapias emergentes
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Transplante de microbiota fecal (TMF)
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Bacteriófagos
Ambas ainda em fase investigativa.
Conclusão do Trabalho
O manejo ideal das ITUr deve priorizar intervenções não antibióticas, reduzindo o impacto da resistência bacteriana. A correção de fatores comportamentais, uso adequado de agentes antiadesivos e imunoprofilaxia tem papel crescente. Estratégias inovadoras, como TMF e bacteriófagos, mostram potencial, mas exigem estudos robustos.
Comentário Editorial
O artigo sintetiza de forma clara a necessidade de uma abordagem escalonada no manejo das ITUr. Destaca-se a crescente relevância de PACs, D-manose, metenamina e estrogênio vaginal, especialmente na pós-menopausa.
A discussão sobre TMF e bacteriófagos aponta para um futuro no qual a modulação do microbioma pode ganhar destaque.
A revisão é útil e atualizada, trazendo equilíbrio entre prática clínica diária e perspectivas de inovação — fundamental para urologistas e uroginecologistas que lidam com pacientes com ITUr persistentes.
Notas do Editor
1. Proantocianidinas (PACs)
As PACs do tipo A — principais componentes ativos do cranberry — exercem efeito antiadesivo contra E. coli uropatogênica. Suplementos no Brasil variam amplamente em qualidade.
2. Pivmecilinam
É um antibiótico da classe dos betalactâmicos. Apesar de amplamente recomendado em diretrizes internacionais, o pivmecilinam não está disponível no Brasil. Seu uso permanece restrito ao contexto internacional.
Referência
Zare M, Vehreschild MJGT, Wagenlehner F. Management of uncomplicated recurrent urinary tract infections. BJU International. 2022;129(6):668–678. doi:10.1111/bju.15699

