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Manejo de Infecções Recorrentes do Trato Urinário Não Complicadas

Autores do Artigo: 

Mary Zare, Maria J.G.T. Vehreschild, Florian Wagenlehner

Journal

BJU International

Data da publicação

Junho 2022

Autor do Resumo

Editor de Seção

  

Introdução

As infecções do trato urinário (ITU) são extremamente prevalentes no contexto ambulatorial. Cerca de 50% das mulheres terão ao menos um episódio ao longo da vida, e aproximadamente 30% apresentarão recorrência. As infecções urinárias recorrentes (ITUr) não complicadas afetam especialmente mulheres jovens e saudáveis, gerando desconforto persistente, uso repetido de antibióticos e impacto relevante na qualidade de vida.

Objetivo

Revisar fatores de risco, estratégias diagnósticas e opções terapêuticas e profiláticas — com destaque para intervenções não antibióticas — no manejo das ITUr.

Desenho do estudo

Revisão narrativa

Materiais e Métodos

Revisão narrativa abrangendo estudos sobre:

  • epidemiologia das ITUr,

  • fisiopatologia,

  • diagnóstico,

  • abordagem do episódio agudo,

  • profilaxias antibióticas e não antibióticas,

  • terapias emergentes (TMF, bacteriófagos).

Desfechos

  • Melhores práticas diagnósticas

  • Manejo do episódio agudo

  • Profilaxias não antibióticas

  • Indicações de profilaxia antibiótica

  • Terapias inovadoras e experimentais

Critérios de inclusão e exclusão mais relevantes

Inclusão:

  • Estudos envolvendo mulheres com ITUs recorrentes não complicadas

  • Definição: ≥ 2 episódios em 6 meses ou ≥ 3 em 12 meses

Exclusão:

  • ITUs complicadas

  • Populações especiais (cateterizadas, gestantes, imunossuprimidas)

  • Estudos exclusivamente hospitalares

Resultados

A maior suscetibilidade feminina às ITUr decorre de fatores anatômicos, comportamentais, genéticos e de microbioma.

O tratamento do episódio agudo segue diretrizes internacionais, priorizando nitrofurantoína, fosfomicina e pivmecilinam (nota do editor ao final).

A profilaxia deve ser escalonada:

1. Estratégias não antibióticas (primeira linha)

  • Aumento da ingestão hídrica

  • Micção pós-coito e ajustes comportamentais

  • Cranberry / proantocianidinas (PACs) (nota do editor ao final).

  • D-manose

  • Metenamina como antisséptico urinário

  • Imunoprofilaxia (OM-89)

  • Estrogênio vaginal na pós-menopausa

  • Instilação intravesical de GAGs em casos selecionados

2. Profilaxia antibiótica

Indicada quando medidas não antibióticas falham.

3. Terapias emergentes

  • Transplante de microbiota fecal (TMF)

  • Bacteriófagos

    Ambas ainda em fase investigativa.

Conclusão do Trabalho

O manejo ideal das ITUr deve priorizar intervenções não antibióticas, reduzindo o impacto da resistência bacteriana. A correção de fatores comportamentais, uso adequado de agentes antiadesivos e imunoprofilaxia tem papel crescente. Estratégias inovadoras, como TMF e bacteriófagos, mostram potencial, mas exigem estudos robustos.

Comentário Editorial

O artigo sintetiza de forma clara a necessidade de uma abordagem escalonada no manejo das ITUr. Destaca-se a crescente relevância de PACs, D-manose, metenamina e estrogênio vaginal, especialmente na pós-menopausa.

A discussão sobre TMF e bacteriófagos aponta para um futuro no qual a modulação do microbioma pode ganhar destaque.

A revisão é útil e atualizada, trazendo equilíbrio entre prática clínica diária e perspectivas de inovação — fundamental para urologistas e uroginecologistas que lidam com pacientes com ITUr persistentes.

 

Notas do Editor

1. Proantocianidinas (PACs)

As PACs do tipo A — principais componentes ativos do cranberry — exercem efeito antiadesivo contra E. coli uropatogênica. Suplementos no Brasil variam amplamente em qualidade.

2. Pivmecilinam

É um antibiótico da classe dos betalactâmicos. Apesar de amplamente recomendado em diretrizes internacionais, o pivmecilinam não está disponível no Brasil. Seu uso permanece restrito ao contexto internacional.

Referência

Zare M, Vehreschild MJGT, Wagenlehner F. Management of uncomplicated recurrent urinary tract infections. BJU International. 2022;129(6):668–678. doi:10.1111/bju.15699

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