
Prolapso de órgãos pélvicos e disfunção sexual
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Introdução
A saúde sexual é um componente essencial da qualidade de vida das mulheres. O prolapso de órgão pélvico (POP) é prevalente, especialmente após o parto, e pode influenciar negativamente a sexualidade ao gerar desconforto, medo de incontinência e impacto na imagem corporal. Embora intuitivamente o POP pareça afetar a função sexual, essa relação ainda não é totalmente clara.
Objetivo
Analisar como o POP e seu tratamento cirúrgico interferem na função sexual, na dispareunia, na autoimagem corporal e na qualidade de vida de mulheres sexualmente ativas.
Desenho do estudo
Revisão narrativa.
Número de pacientes
Não aplicável
Período de inclusão
A busca incluiu estudos observacionais e ensaios randomizados publicados nas últimas três décadas sobre cirurgia de POP e função sexual.
Materiais e Métodos
Busca nas bases MEDLINE e PUBMED, incluindo estudos avaliando cirurgia de POP (compartimento anterior e/ou posterior, com possibilidade de histerectomia vaginal).
Foram excluídos procedimentos com correção concomitante de incontinência ou uso de materiais sintéticos transvaginais.
Desfechos
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Função sexual geral
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Dispareunia (preexistente ou de novo)
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Autoimagem corporal
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Qualidade de vida após a cirurgia de POP
Critérios de inclusão e exclusão mais relevantes
Critérios de Inclusão
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Cirurgias usando tecidos nativos
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Mulheres sexualmente ativas
Critérios de Exclusão
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Cirurgias com telas sintéticas transvaginais
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Correção cirúrgica concomitante de incontinência
Resultados
Mulheres com POP tendem a reduzir a atividade sexual, principalmente por impacto na imagem corporal, desconforto e receio de sintomas urinários.
As principais evidências encontradas foram:
1. Tratamentos conservadores
Fisioterapia do assoalho pélvico e pessários podem melhorar sintomas, mas não há impacto consistente na função sexual.
2. Cirurgia de POP e sexualidade
Após a correção anatômica, a maioria das mulheres apresenta melhora da função sexual e redução da dispareunia.
Contudo, há um ponto crítico:
-
Existe risco de dispareunia de novo, independentemente da técnica, porém mais frequente no acesso transvaginal.
Essa diferença favorece técnicas minimamente invasivas para mulheres sexualmente ativas, sobretudo:
➡ Sacrocolpopexia laparoscópica ou robótica, que apresenta
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menor risco de dispareunia de novo,
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melhores resultados anatômicos,
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baixa taxa de recorrência.
3. Importância do aconselhamento
O aconselhamento pré-operatório é fundamental: expectativas realistas, risco de dor pós-operatória, tempo de abstinência sexual e possibilidade de mudanças na função sexual.
Conclusão do Trabalho
A correção anatômica com tecidos nativos é recomendada.
A dispareunia tende a melhorar após o reparo, mas há risco inerente de dispareunia de novo, especialmente no acesso transvaginal. Para mulheres jovens e sexualmente ativas, a sacrocolpopexia permanece o padrão-ouro por oferecer melhor equilíbrio entre anatomia e função sexual.
Comentário Editorial
Este artigo aborda um tema essencial na uroginecologia: a relação entre POP e função sexual, um desfecho frequentemente negligenciado no passado.
O ponto mais robusto da revisão é a diferenciação clara entre as abordagens cirúrgicas. A literatura evidencia que, embora a maioria das mulheres melhore sua sexualidade após a correção anatômica, existe um risco real de dispareunia de novo, sobretudo nas técnicas transvaginais. Já a sacrocolpopexia abdominal (laparoscópica ou robótica) apresenta melhores resultados funcionais, menor dor pós-operatória sexual e menor risco de recorrência — especialmente relevante para mulheres sexualmente ativas.
Outro aspecto crítico é a necessidade de aconselhamento pré-operatório estruturado, incluindo expectativas, riscos funcionais e impacto psicossocial. A cirurgia de POP não é apenas anatômica; trata-se também de sexualidade, autoimagem e bem-estar.
A revisão reforça práticas atuais e destaca a importância de individualizar a técnica de acordo com a idade, vida sexual e prioridades da paciente.

