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Prolapso de órgãos pélvicos e disfunção sexual

Autores do Artigo: 

Francisco E. Martins

Journal

Société Internationale d’Urologie Journal (SIUJ)

Data da publicação

Fevereiro 2025

Autor do Resumo

Editor de Seção

  

Introdução

A saúde sexual é um componente essencial da qualidade de vida das mulheres. O prolapso de órgão pélvico (POP) é prevalente, especialmente após o parto, e pode influenciar negativamente a sexualidade ao gerar desconforto, medo de incontinência e impacto na imagem corporal. Embora intuitivamente o POP pareça afetar a função sexual, essa relação ainda não é totalmente clara.

Objetivo

Analisar como o POP e seu tratamento cirúrgico interferem na função sexual, na dispareunia, na autoimagem corporal e na qualidade de vida de mulheres sexualmente ativas.

Desenho do estudo

Revisão narrativa.

Número de pacientes

Não aplicável

Período de inclusão

 A busca incluiu estudos observacionais e ensaios randomizados publicados nas últimas três décadas sobre cirurgia de POP e função sexual.

Materiais e Métodos

Busca nas bases MEDLINE e PUBMED, incluindo estudos avaliando cirurgia de POP (compartimento anterior e/ou posterior, com possibilidade de histerectomia vaginal).
 Foram excluídos procedimentos com correção concomitante de incontinência ou uso de materiais sintéticos transvaginais.

Desfechos

  • Função sexual geral
     

  • Dispareunia (preexistente ou de novo)
     

  • Autoimagem corporal

  • Qualidade de vida após a cirurgia de POP

Critérios de inclusão e exclusão mais relevantes

Critérios de Inclusão

  • Cirurgias usando tecidos nativos
     

  • Mulheres sexualmente ativas
     

Critérios de Exclusão

  • Cirurgias com telas sintéticas transvaginais
     

  • Correção cirúrgica concomitante de incontinência

Resultados

Mulheres com POP tendem a reduzir a atividade sexual, principalmente por impacto na imagem corporal, desconforto e receio de sintomas urinários.

As principais evidências encontradas foram:

1. Tratamentos conservadores

Fisioterapia do assoalho pélvico e pessários podem melhorar sintomas, mas não há impacto consistente na função sexual.

2. Cirurgia de POP e sexualidade

Após a correção anatômica, a maioria das mulheres apresenta melhora da função sexual e redução da dispareunia.

Contudo, há um ponto crítico:

  • Existe risco de dispareunia de novo, independentemente da técnica, porém mais frequente no acesso transvaginal.
     

Essa diferença favorece técnicas minimamente invasivas para mulheres sexualmente ativas, sobretudo:

Sacrocolpopexia laparoscópica ou robótica, que apresenta

  • menor risco de dispareunia de novo,
     

  • melhores resultados anatômicos,
     

  • baixa taxa de recorrência.
     

3. Importância do aconselhamento

O aconselhamento pré-operatório é fundamental: expectativas realistas, risco de dor pós-operatória, tempo de abstinência sexual e possibilidade de mudanças na função sexual.

Conclusão do Trabalho

A correção anatômica com tecidos nativos é recomendada.
A dispareunia tende a melhorar após o reparo, mas há risco inerente de dispareunia de novo, especialmente no acesso transvaginal. Para mulheres jovens e sexualmente ativas, a sacrocolpopexia permanece o padrão-ouro por oferecer melhor equilíbrio entre anatomia e função sexual.

Comentário Editorial

Este artigo aborda um tema essencial na uroginecologia: a relação entre POP e função sexual, um desfecho frequentemente negligenciado no passado.

O ponto mais robusto da revisão é a diferenciação clara entre as abordagens cirúrgicas. A literatura evidencia que, embora a maioria das mulheres melhore sua sexualidade após a correção anatômica, existe um risco real de dispareunia de novo, sobretudo nas técnicas transvaginais. Já a sacrocolpopexia abdominal (laparoscópica ou robótica) apresenta melhores resultados funcionais, menor dor pós-operatória sexual e menor risco de recorrência — especialmente relevante para mulheres sexualmente ativas.

Outro aspecto crítico é a necessidade de aconselhamento pré-operatório estruturado, incluindo expectativas, riscos funcionais e impacto psicossocial. A cirurgia de POP não é apenas anatômica; trata-se também de sexualidade, autoimagem e bem-estar.

A revisão reforça práticas atuais e destaca a importância de individualizar a técnica de acordo com a idade, vida sexual e prioridades da paciente.

 

Referência

  1. Martins, F. E. (2025). Pelvic Organ Prolapse and Sexual Dysfunction. Soc. Int. Urol. J., 6(1), 19.

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