Esta revisão sistemática fornece evidências robustas sobre a eficácia da lidocaína intrauretral na redução da dor durante cistoscopia flexível, representando um avanço na medicina urológica baseada em evidências.
Os resultados demonstram diferença média padronizada de -0,22 na escala VAS, estatisticamente significativa embora modesta. A análise estratificada por tempo de permanência oferece insights práticos: tempos superiores a 10 minutos proporcionam maior benefício, com implicações diretas para protocolos de atendimento.
No contexto brasileiro, onde predomina o cistoscópio rígido frequentemente utilizado em centro cirúrgico, os achados mantêm relevância e destacam a necessidade de adaptação dos protocolos. A diferença de custo entre lidocaína e lubrificante simples deve ser considerada no contexto do benefício e humanização do atendimento.
A exclusão de mulheres representa limitação importante, considerando que uma proporção significativa de cistoscopias é realizada em pacientes femininas. As intervenções adjuvantes identificadas, como música durante o procedimento e técnica de instilação mais lenta, oferecem oportunidades de baixo custo para melhorar a experiência do paciente.
O estudo sugere que volumes de 20 ml podem ser mais efetivos que 10 ml, baseado no volume uretral médio de 16 ml em homens. Para implementação prática, recomenda-se o desenvolvimento de protocolos institucionais com tempo de permanência mínimo de 10-15 minutos e aplicação lenta da lidocaína.
Em conclusão, esta revisão fornece evidência sólida para apoiar o uso de lidocaína intrauretral na cistoscopia flexível. Embora o benefício seja modesto, é clinicamente relevante e pode contribuir para a melhoria da experiência dos pacientes