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Tendências no impacto global, regional e nacional do câncer de bexiga de 1990 a 2021: um estudo observacional a partir do Global Burden of Disease 2021

Autores do Artigo: 

Xingyang Su, Yifang Tao, Feng Chen, Xiujuan Han & Li Xue

Journal

Scientific Reports

Data da publicação

Março 2025

Apoio educacional:

  

Introdução

Em março de 2025 foi publicado na revista Scientific Reports o estudo, em tradução livre, “Tendências no impacto global, regional e nacional do câncer de bexiga de 1990 a 2021: um estudo observacional a partir do Global Burden of Disease 2021”, que avaliou a evolução da incidência, mortalidade e dos anos de vida ajustados por incapacidade do câncer de bexiga em 204 países e territórios. A hipótese era que, apesar da redução das taxas padronizadas por idade, o número absoluto de eventos continuaria aumentando em função do envelhecimento populacional e do crescimento demográfico, com desigualdades relacionadas ao nível de desenvolvimento socioeconômico. O estudo demonstrou aumento expressivo dos números absolutos e redução das taxas padronizadas por idade, com concentração do impacto em países de maior índice sociodemográfico e indícios de deslocamento relativo para países de menor índice sociodemográfico. Confira abaixo mais detalhes do estudo:

Objetivo

Avaliar as tendências temporais e as desigualdades entre países no impacto do câncer de bexiga entre 1990 e 2021, além de projetar taxas até 2036.

Desenho do estudo

Estudo observacional, ecológico, com análise secundária de base populacional (Global Burden of Disease 2021), incluindo análises de tendência temporal, idade-período-coorte, decomposição dos determinantes do crescimento e avaliação de desigualdade segundo o índice sociodemográfico, além de projeções por modelo Bayesiano idade-período-coorte.

Período de inclusão

1990 a 2021, com projeções de 2022 a 2036.

Materiais e Métodos

Foram extraídas do Global Burden of Disease 2021 estimativas de incidência, mortalidade e anos de vida ajustados por incapacidade do câncer de bexiga, com intervalos de incerteza de 95%, bem como as respectivas taxas padronizadas por idade. As tendências foram resumidas por variação percentual anual estimada, com análises adicionais por idade-período-coorte e por pontos de mudança. Foi realizada decomposição do crescimento do número de casos em componentes atribuíveis ao envelhecimento populacional, ao crescimento populacional e às mudanças epidemiológicas. A desigualdade no impacto foi avaliada em relação ao índice sociodemográfico por medidas de desigualdade absoluta e relativa, incluindo índice de concentração. As projeções até 2036 foram realizadas por modelo Bayesiano idade-período-coorte.

Desfechos

Incidência, mortalidade e anos de vida ajustados por incapacidade do câncer de bexiga, expressos em números absolutos e taxas padronizadas por idade, além de tendências temporais, decomposição dos determinantes do crescimento, desigualdade segundo índice sociodemográfico e projeções das taxas padronizadas por idade até 2036.

Critérios de inclusão e exclusão mais relevantes

Não aplicável, uma vez que se trata de análise populacional. A unidade de análise foi país ou território e estratos populacionais definidos pelo Global Burden of Disease 2021. As estimativas utilizam padronização por códigos da Classificação Internacional de Doenças e modelagem estatística para lidar com heterogeneidade e ausência de dados.

Resultados

Entre 1990 e 2021, a incidência global de câncer de bexiga aumentou de 260.142 para 540.310 casos, enquanto a taxa padronizada por idade reduziu-se de 6,90 para 6,35 por 100.000 (variação percentual anual estimada −0,36). No mesmo período, as mortes aumentaram de 123.125 para 221.888, com queda da taxa padronizada por idade de mortalidade de 3,51 para 2,68 por 100.000 (variação percentual anual estimada −0,98). Os anos de vida ajustados por incapacidade passaram de 2.733.041 para 4.397.067, acompanhados de redução da taxa padronizada por idade de 71,05 para 51,58 por 100.000 (variação percentual anual estimada −1,19).

A análise por índice sociodemográfico evidenciou desigualdades persistentes no impacto do câncer de bexiga. Países de alto índice sociodemográfico concentraram as maiores taxas padronizadas por idade, enquanto países de baixo e médio índice sociodemográfico apresentaram crescimento progressivo do impacto absoluto. A América Latina e Caribe situaram-se em posição intermediária nesse gradiente, com taxas padronizadas inferiores às de países de alta renda, mas com aumento consistente do número absoluto de casos e mortes. O Brasil acompanhou esse padrão regional, com impacto absoluto crescente ao longo do período analisado, impulsionado principalmente pelo envelhecimento populacional e pelo crescimento demográfico.

Foram observadas diferenças marcantes por sexo em todas as regiões. Em 1990, a incidência estimada global foi de 195.874 casos em homens e 64.267 em mulheres; em 2021, esses números aumentaram para 417.706 e 122.604, respectivamente. As taxas padronizadas por idade de incidência mantiveram razão próxima de 4:1 entre homens e mulheres, padrão também observado na América Latina e Caribe e no Brasil. Nas projeções até 2036, o estudo estimou manutenção da redução gradual das taxas padronizadas por idade em todas as regiões, incluindo a América Latina e Caribe, mas com continuidade do aumento do impacto absoluto, especialmente em países de renda média, como o Brasil, em função da dinâmica demográfica.

Conclusão do Trabalho

Entre 1990 e 2021, o impacto do câncer de bexiga aumentou globalmente em termos absolutos, com crescimento do número de casos, mortes e anos de vida ajustados por incapacidade, apesar da redução consistente das taxas padronizadas por idade. Esse aumento foi impulsionado principalmente pelo envelhecimento populacional e pelo crescimento demográfico, com desigualdades persistentes entre regiões, caracterizadas pela concentração das maiores taxas em países de alto índice sociodemográfico e expansão progressiva do impacto absoluto em países de renda média e baixa, incluindo a América Latina e o Brasil; as projeções até 2036 sugerem manutenção da queda das taxas padronizadas por idade, acompanhada de aumento contínuo do impacto absoluto.

Comentário Editorial

Este estudo demonstra que a redução das taxas padronizadas por idade não implica diminuição do impacto do câncer de bexiga sobre os sistemas de saúde. O crescimento sustentado do número absoluto de casos, fortemente influenciado pelo envelhecimento populacional, torna-se ainda mais relevante quando analisado à luz das desigualdades socioeconômicas entre países e regiões.

Na América Latina e, em particular, no Brasil, o aumento do impacto absoluto ocorre em um cenário de desigualdade estrutural no acesso ao diagnóstico, ao tratamento e ao seguimento de longo prazo. Em uma doença marcada por alta recorrência e necessidade contínua de acompanhamento, essas desigualdades tendem a amplificar a pressão assistencial e a contribuir para variações relevantes na qualidade do cuidado e nos desfechos clínicos.

O achado de um deslocamento progressivo do impacto para países de menor índice sociodemográfico pode ser interpretado como um alerta e sugere que avanços obtidos em prevenção e manejo não estão sendo distribuídos de forma equitativa, reforçando a importância de políticas de saúde que priorizem equidade, organização de linhas de cuidado e capacidade de resposta dos sistemas de saúde, especialmente em países de renda média como o Brasil.

Referência

Su X, Tao Y, Chen F, et al. Trends in the global, regional, and national burden of bladder cancer from 1990 to 2021: an observational study from the global burden of disease study 2021. Scientific Reports. 2025;15(1):7655. doi: 10.1038/s41598-025-92033-5

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