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Vapor d’água elimina câncer de grau 2 na área tratada em 91% dos pacientes, mas ainda não substitui terapia definitiva

Postado em Outubro 2026

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A ablação focal transuretral por vapor d’água demonstrou eliminação de doença de grau 2 na região tratada em 91% dos pacientes avaliados aos seis meses no estudo VAPOR 2. Os resultados iniciais, divulgados na edição de outubro do Journal of Urology, colocam a técnica no centro do debate sobre preservação funcional no câncer de próstata localizado de risco intermediário, mas exigem interpretação cautelosa.

O VAPOR 2 é um estudo prospectivo, multicêntrico e de braço único realizado em 26 centros dos Estados Unidos. O protocolo incluiu 235 homens com pelo menos 50 anos, câncer de próstata localizado de grupo de grau 2, PSA de até 15 ng/mL e lesão única PI-RADS 3 ou 4 identificada por ressonância magnética e confirmada por biópsia de fusão. Esta análise pré-especificada avaliou os primeiros 110 pacientes que completaram 12 meses de seguimento.

Na biópsia dirigida da área ablacionada aos seis meses, 75% dos pacientes apresentaram apenas tecido benigno e 91% tinham tecido benigno ou doença residual de grupo de grau 1. O PSA apresentou redução mediana de 58%, acompanhada de redução mediana de 8 cm³ no volume prostático. Esses resultados indicam eficácia ablativa local, mas não demonstram, por si só, controle oncológico de longo prazo.

A técnica aplica energia térmica por vapor d’água diretamente no tecido prostático alvo por via transuretral. A função urinária e sexual apresentou queda inicial, com recuperação gradual até 12 meses, e os eventos adversos perioperatórios foram predominantemente leves. Não houve lesão retal relatada nesta análise.

O desenho incluiu uma população altamente selecionada, com lesão única e sem achados de maior risco na ressonância. Além disso, trata-se de estudo sem grupo controle e com seguimento curto. O sistema utilizado possui liberação para ablação de tecido prostático nos Estados Unidos, mas não tem indicação aprovada para tratamento do câncer de próstata nem evidência madura de desfechos oncológicos de longo prazo.

O principal recado para o urologista é que a ablação por vapor d’água deve permanecer no terreno investigacional para câncer de próstata. O achado é relevante por mostrar atividade ablativa inclusive em diferentes localizações da próstata, mas não autoriza substituir prostatectomia radical, radioterapia ou vigilância ativa fora de protocolos e discussão rigorosa de incertezas com o paciente.

Fonte: George A et al. VAPOR 2: terapia por vapor d’água para câncer de próstata — The Journal of Urology

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