
Noctúria e inibidores de SGLT2: uma revisão da fisiopatologia, evidências clínicas e implicações terapêuticas.
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Introdução
O trabalho explora a relação entre inibidores do cotransportador sódio-glicose tipo 2 (SGLT2i), amplamente usados no tratamento de diabetes, insuficiência cardíaca e doença renal crônica, e a noctúria, um sintoma comum que afeta a qualidade de vida desses pacientes. Os autores destacam que, embora esses medicamentos promovam diurese osmótica benéfica para suas indicações primárias, eles podem aumentar modestamente a frequência urinária noturna, especialmente no início do tratamento, variando conforme o agente específico e as características do paciente.
Objetivo
Avaliar o impacto dos inibidores SGLT2 sobre a noctúria, por meio de uma revisão da fisiopatologia, evidências clínicas e implicações terapêuticas, identificando riscos, variações entre agentes e estratégias de manejo para otimizar o uso desses medicamentos em populações de risco.
Desenho do estudo
Revisão sistemática conduzida de acordo com as diretrizes PRISMA 2020, sem registro prospectivo em PROSPERO. Incluiu buscas em PubMed, Embase e Web of Science desde o início até maio de 2025, com termos como "SGLT2 inhibitors" combinados a "nocturia", "nocturnal polyuria" e sintomas urinários inferiores. Foram elegíveis ensaios clínicos randomizados (ECRs), estudos observacionais, coortes, transversais e análises pós-mercado. Adicionalmente, realizou-se análise de disproporcionalidade no sistema de relatórios de eventos adversos da FDA (FAERS) para sinais de eventos urinários, calculando razões de relatório proporcional (PRR > 2,0 com p < 0,05). O risco de viés foi avaliado com RoB 2.0 para ECRs e Escala Newcastle-Ottawa para estudos observacionais, influenciando a síntese narrativa qualitativa. Não houve exclusão baseada apenas em alto risco de viés.
Número de pacientes
A revisão analisou dados agregados de 46 estudos incluídos, abrangendo milhares de pacientes adultos (>18 anos) com diabetes, insuficiência cardíaca ou doença renal crônica tratados com SGLT2i, alguns chegando até 7.020 pacientes.
Materiais e Métodos
A revisão sistemática seguiu PRISMA 2020, com fluxograma de seleção de estudos (46 incluídos de 1.247 identificados). Critérios de elegibilidade focaram em pacientes adultos com condições indicadas para SGLT2i, intervenção com esses agentes e outcomes relacionados a noctúria. Não foram testados métodos ou produtos novos específicos, mas analisados agentes existentes como empagliflozina, dapagliflozina, canagliflozina e tofogliflozina, que atuam bloqueando a reabsorção de glicose e sódio nos túbulos renais proximais, induzindo glicosúria e natriurese. A análise FAERS comparou 15 pares de fármacos, calculando PRR para eventos como noctúria, poliúria e infecções do trato urinário (ITU). Evidências qualitativas de fóruns online (ex.: Reddit) foram incluídas para relatos reais de pacientes, via análise temática.
Desfechos
Desfecho primário: sintomas relacionados a noctúria (frequência urinária noturna, poliúria noturna), medidos por escalas validadas quando disponíveis (poucos estudos usaram). Desfechos secundários: poliúria, pollaciúria, incontinência urinária, retenção urinária, ITU e prostatite; variações por agente SGLT2i; fatores preditivos e estratégias de manejo.
Critérios de inclusão e exclusão mais relevantes
Inclusão: Pacientes adultos (>18 anos) com diabetes, insuficiência cardíaca ou doença renal crônica; intervenção com SGLT2i; outcomes explícitos de sintomas urinários/noturnos; desenhos como ECRs, observacionais ou pós-mercado. Exclusão: Estudos pediátricos; sem intervenção SGLT2i; outcomes não relacionados a noctúria; relatos de caso isolados sem dados agregados; duplicatas ou resumos sem texto completo.
Resultados
Os 46 estudos incluídos indicam um aumento modesto, mas clinicamente significativo, na noctúria com SGLT2i, especialmente precoce no tratamento, devido à diurese osmótica e redistribuição de volume circadiano. Em ECRs como EMPA-REG OUTCOME, houve relatos de aumento na frequência urinária (até 10-15% maior vs. placebo), mas poucos usaram medidas validadas como o Índice Internacional de Sintomas Prostáticos. Estudos observacionais japoneses mostraram prevalência de poliúria noturna em 53,4% dos usuários de SGLT2i vs. 40,6% em não-usuários, com variação: tofogliflozina (meia-vida curta, 5,4 horas) associada a 34,8% vs. 62% para outros agentes. A análise FAERS revelou RR elevados para noctúria (especialmente canagliflozina, RR >2,0), pollaciúria e ITU (devido à glicosúria promovendo crescimento bacteriano). Em homens, risco aumentado de prostatite. Benefícios incluem redução de pré-carga cardíaca, melhorando sintomas de insuficiência cardíaca. Fatores preditivos: meia-vida do agente, dosagem matinal e restrição de sal mitigam efeitos.
Conclusão do Trabalho
Os inibidores SGLT2 estão associados a um pequeno, mas relevante, aumento na noctúria, variando por farmacocinética do agente e características do paciente. Estratégias como dosagem matinal, seleção individualizada e modificações de estilo de vida (ex.: restrição de sal) podem mitigar sintomas. São necessários estudos prospectivos com medidas padronizadas para guiar prescrições personalizadas e manejo de sintomas.
Comentário Editorial
Essa revisão destaca a necessidade de monitoramento proativo da noctúria em pacientes com diabetes ou insuficiência cardíaca iniciando SGLT2i, integrando urologistas e cardiologistas para avaliação precoce. Limitações incluem a escassez de estudos com outcomes primários em noctúria e viés de relatórios em FAERS, além da heterogeneidade nos métodos de medição. Em prática clínica, isso reforça a importância de educar pacientes sobre efeitos transitórios e opções como tofogliflozina para minimizar impactos na qualidade de sono. Perspectivas futuras envolvem biomarcadores preditivos e ensaios comparativos para otimizar o uso desses agentes, potencialmente reduzindo abandonos terapêuticos e melhorando adesão em populações vulneráveis.
Referência
Antonellis M, Adler R, Kozlov M, Lazar J, Weiss JP. Nocturia and SGLT2 Inhibitors: A Review of Pathophysiology, Clinical Evidence, and Therapeutic Implications. Continence. 2025. doi:10.1016/j.cont.2025.102299.
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